A orla de Santos ganhou tons de azul na manhã ensolarada deste sábado (27) com a inédita Caminhada da Pessoa Surda e do Intérprete de Libras – Setembro Azul. O ato saiu da Praça das Bandeiras e seguiu até a Concha Acústica, no Gonzaga, reunindo centenas de participantes. O objetivo foi valorizar a cultura surda, defender direitos e ampliar a inclusão social.
A presidente da Congregação Santista de Surdos, Vera Elaine Turatti, destacou a emoção pelo resultado da mobilização. “É uma imensa alegria ver nossa comunidade unida. Essa união é a força e o amor que tanto precisamos”, afirmou.
Apesar da celebração, Vera alertou para a necessidade de engajamento dos jovens. “Minha principal preocupação é a diminuição da participação dos surdos mais novos. Precisamos trazê-los de volta à luta e garantir que a nova geração mantenha viva a valorização da nossa cultura”.
Conscientização da sociedade
A secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, Nina Barbosa, reforçou a importância da mobilização coletiva. “A conscientização da sociedade é essencial para a verdadeira inclusão. Não podemos deixar que a luta fique restrita às famílias. É hora de todos agirem com informação e empatia”.
Já a chefe da Coordenadoria de Defesa de Políticas para Pessoa com Deficiência (Codep), Cristiane Zamari, lembrou o pioneirismo de Santos na acessibilidade comunicacional. “É vital que quem se comunica em Libras tenha acesso às mesmas informações dos ouvintes. A Central Municipal de Mediação em Libras garante essa comunicação nos serviços públicos e é única na Baixada Santista”.
Inclusão em números
Santos se consolidou como referência regional em acessibilidade. Em 2015, o município implantou a primeira Central de Libras da Baixada Santista, que já soma 634 atendimentos. No cuidado auditivo, a Secresa distribuiu 1.905 próteses auditivas em 2024 e já registra 1.290 entregas até agosto de 2025.
Realização
A caminhada foi organizada pela Congregação Santista de Surdos, com apoio da Prefeitura de Santos, por meio da Codep, da Central de Libras da Semulher, da MSansi Produções e do Movimento Surdo da Baixada Santista.

