A advocacia brasileira vive um momento de transformação. Com um mercado interno cada vez mais competitivo, escritórios têm buscado ampliar horizontes e firmar presença fora do país.
Para os advogados de Santos e Região, que atuam além das relações entre Porto e Cidade, essa expansão não é apenas uma tendência, mas uma resposta estratégica a um cenário em que clientes, negócios e disputas ultrapassam fronteiras.
Novo perfil da advocacia brasileira
Segundo o Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira, conduzido pela OAB e pela FGV, mais da metade dos advogados brasileiros têm menos de 10 anos de carreira. O dado evidencia uma geração nova, ambiciosa e disposta a explorar novos mercados.
Ao mesmo tempo, informações do Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CAM-CCBC) mostram que 14,4% das partes envolvidas em arbitragens no país em 2024 eram estrangeiras — quase o triplo do ano anterior. O número reforça como o Brasil vem ganhando protagonismo em disputas com players internacionais.
Internacionalização como estratégia
De acordo com o advogado santista Marcelo Godke, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial, a decisão de internacionalizar o escritório partiu de uma constatação simples: o mercado jurídico nacional, embora sofisticado, apresenta limites quando pensado apenas sob a ótica doméstica.
“Os clientes começaram a demandar soluções em múltiplas jurisdições. Percebi que não bastava resolver o problema no Brasil; era necessário oferecer suporte jurídico em outros mercados, com a mesma qualidade e segurança”, explica.
Presença nos EUA e em Portugal
A escolha dos Estados Unidos e de Portugal como polos de atuação foi estratégica.
“Os EUA são o centro financeiro e empresarial do mundo, enquanto Portugal é a porta de entrada para a União Europeia e mantém laços culturais e jurídicos com o Brasil e outros países lusófonos”, afirma.
A presença nesses dois mercados permite uma atuação global sem perder as conexões com o universo jurídico brasileiro.
Desafios da atuação internacional
Entre os maiores desafios do processo, Godke destaca a necessidade de compreender e respeitar as particularidades de cada país.
“Não se trata de copiar e colar a estrutura do Brasil. É preciso respeitar a cultura local, entender as práticas jurídicas e formar uma equipe capaz de transitar entre diferentes sistemas sem perder a profundidade técnica”, comenta.
Advocacia com visão global
Com a globalização dos negócios, áreas como direito societário, financeiro, arbitragem internacional e proteção de dados ganham cada vez mais relevância.
“O advogado que se limita a um olhar puramente doméstico perde espaço. Hoje, é essencial ter visão de negócios, domínio de idiomas e sensibilidade intercultural”, observa.
Para ele, a internacionalização fortalece o escritório e amplia as oportunidades.
“Estar presente em diferentes mercados permite acompanhar o cliente em todas as etapas de suas operações e abre portas para parcerias estratégicas com bancas estrangeiras. Além disso, traz aprendizado e inovação para o direito brasileiro.”
De Santos para o mundo
Natural de Santos, Marcelo Godke é graduado em Direito pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), com mestrado na Universidade de Leiden (Holanda), doutorado na USP e segundo doutorado na Universidade de Tilburg (Holanda).
Segundo ele, essa experiência pode inspirar outros profissionais da região — conforme a OAB Santos, são cerca de 9 mil advogados inscritos na segunda maior seccional do Estado de São Paulo.
“Sei como muitas vezes a advocacia regional parece limitada ao espaço local, mas é possível sonhar grande. A advocacia do futuro exige ousadia, preparo e uma mentalidade global. Profissionais de Santos são muito talentosos e têm total condição de conquistar espaço lá fora. Basta investir em conhecimento, especialmente em idiomas, e abrir-se para o mundo”, conclui.

