A ampliação da poligonal do Porto de Santos, considerada essencial para o crescimento logístico do país, continua sem sair do papel. O projeto, que deveria redefinir os limites da área administrada pela Autoridade Portuária de Santos (APS), segue sem cronograma oficial por parte do governo federal. A indefinição gera insegurança em investidores e preocupa o setor portuário, que vê o atraso como um risco para a competitividade do terminal.
Expectativa por definição
O plano de expansão prevê a inclusão de novas áreas para operação portuária, aumento da capacidade de atracação e mais espaço para armazenagem. Técnicos da APS e representantes do Ministério de Portos e Aeroportos discutem ajustes técnicos e ambientais, mas as decisões políticas continuam travadas.
Empresários afirmam que o país perde oportunidades enquanto o impasse persiste. Segundo fontes do setor, companhias interessadas em ampliar operações aguardam clareza sobre a nova poligonal para planejar investimentos de longo prazo.
Impacto econômico
O Porto de Santos responde por cerca de 30% da balança comercial brasileira e é peça-chave para o escoamento de grãos, combustíveis e contêineres. Sem a ampliação, o terminal pode atingir o limite de sua capacidade nos próximos anos, o que ameaça o ritmo de crescimento das exportações e o fluxo de cargas.
Analistas defendem que a expansão traria ganhos imediatos em eficiência logística, geração de empregos e arrecadação. “Cada ano de atraso significa perda de competitividade frente a outros portos da América do Sul”, avalia um consultor de infraestrutura ouvido pela reportagem.
Entraves políticos e ambientais
O governo ainda precisa alinhar posições entre diferentes órgãos federais para autorizar a nova poligonal. Questões ambientais e disputas sobre o uso de áreas próximas ao porto travam o processo. Em paralelo, o setor cobra mais diálogo e prazos realistas para a execução do projeto.
Fontes ligadas à APS afirmam que o objetivo é concluir todos os estudos técnicos até o fim do próximo ano, mas o cronograma depende de aprovação ministerial.
Pressão por resultados
Entidades empresariais da Baixada Santista articulam reuniões com parlamentares para acelerar as decisões. A expectativa é que o novo desenho da poligonal destrave investimentos bilionários e permita ao Porto de Santos consolidar sua posição como principal hub logístico da América Latina.
Enquanto isso, os operadores portuários reforçam o alerta: sem a ampliação, o país corre o risco de perder cargas estratégicas para portos concorrentes.

