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Entre luzes, músicas e mensagens positivas, existe um contraponto pouco discutido: o esgotamento emocional. A época costuma reunir balanços pessoais, lembranças afetivas e cobranças por convivência social — combinação que, segundo o médico Thyago Henrique, pós-graduado em psiquiatria pelo Hospital Israelita Albert Einstein, funciona como um “amplificador emocional” para quem já está fragilizado.

Felicidade como imposição social

A imagem de festas perfeitas, reforçada por publicidade e redes sociais, cria expectativas irreais. Quando a vida não acompanha essa narrativa idealizada, surgem culpa, vergonha e sensação de fracasso por não corresponder ao clima imposto de alegria.

Sinais que merecem atenção

A pressão emocional pode aparecer em forma de ansiedade, irritabilidade, queda de humor, insônia, tensão muscular e necessidade de isolamento. Em quem já convive com depressão ou transtornos de ansiedade, os sintomas podem se intensificar, levando a crises, autocrítica excessiva e sensação de vazio.

Grupos mais vulneráveis

Algumas pessoas costumam sentir esse impacto de maneira mais profunda:
• quem passou por perdas recentes;
• indivíduos em transições importantes, como separações ou mudanças;
• pessoas afastadas ou em conflito com a família;
• quem já possui histórico de transtornos mentais;
• pessoas enfrentando dificuldades financeiras.

A solidão involuntária é especialmente dolorosa, pois reforça a desconexão em um período socialmente marcado por união.

O papel das redes sociais

O contraste entre a vida real e a “felicidade editada” divulgada online costuma amplificar a sensação de inadequação. Para o especialista, reduzir o tempo de tela e exercer autocompaixão ajuda a diminuir essa pressão.

Caminhos para o autocuidado

Entre as atitudes recomendadas pelo Dr. Thyago estão:
• participar apenas do que faz sentido emocionalmente;
• evitar idealizar celebrações perfeitas;
• manter cuidados básicos com sono, alimentação e movimento;
• buscar apoio em pessoas de confiança;
• criar rituais mais simples e pessoais para marcar a virada do ciclo.

Quando buscar ajuda

É importante procurar suporte profissional quando os sintomas passam a afetar a rotina, como crises de ansiedade, apatia, isolamento intenso ou insônia persistente. A psicoterapia, segundo o médico, fortalece o indivíduo e oferece estratégias para enfrentar o período com mais equilíbrio.

Um ciclo de reflexão

O fim de ano não precisa ser uma maratona de metas ou de alegria obrigatória. Pode ser um momento sincero de pausa. “Sentir-se diferente do clima festivo não é ingratidão, é humanidade”, ressalta o especialista.

Redação Fatos Fontes

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