O Novo Quebra-Mar, em Santos, agora abriga um novo espaço de valorização da cultura indígena e da educação ambiental. Inaugurado nesta quarta-feira (17), o observatório Caminho do Céu marca a criação de um ponto cultural indígena no local e já integra o circuito turístico da Cidade.
O multiartista Jandé Potyguara idealizou o projeto em parceria com o Instituto EcoFaxina e a produtora cultural Estela Vajda, com apoio da Prefeitura de Santos. A estrutura circular, formada por pedras dispostas no chão, reproduz saberes ancestrais dos povos originários. O desenho indica direções, ciclos do tempo e movimentos do céu.
Além do aspecto espiritual, o observatório evidencia o uso prático da observação astronômica nas culturas ancestrais. Os povos indígenas utilizam o céu para definir períodos de plantio, colheita e pesca, além de orientar deslocamentos e trilhas.
“Essa é uma tecnologia ancestral. A gente observa o tempo, o solstício, as épocas de plantação e pesca. A partir do caminho das estrelas, criamos rotas, entendemos o movimento do mar e o nascer e o pôr do sol. É um instrumento fundamental para a nossa relação com o mundo”, explica Jandé Potyguara.
Representatividade indígena
O cacique Awa Tenodegua, da aldeia Tapirema, participou da roda de conversa realizada durante a inauguração e ressaltou a importância da iniciativa. “A gente precisa trazer a nossa visão, a nossa fala e a nossa cultura para uma cidade tão importante para o litoral”, afirmou.
Uma das organizadoras do evento, Estela Vajda destacou que o observatório abre caminho para novas ações culturais. “A ideia é que esse espaço gere outros movimentos ao longo do tempo, com eventos durante todo o ano, para que os povos indígenas possam falar e a sociedade possa escutar”, disse.
Programação cultural e ação ambiental
Mesmo com a chuva ao longo do dia, a programação gratuita aconteceu na cobertura da pista de skate do Novo Quebra-Mar. O público acompanhou rodas de conversa e apresentações culturais indígenas, com o coral Mensageiros de Tekoá Paranapuã, grafismo de Mimby Tupi, dança ancestral contemporânea de Jandé Potyguara e música de Wescritor.
O evento também incluiu a 206ª ação voluntária do Instituto EcoFaxina, com um mutirão de limpeza no entorno do espaço. Para o presidente do instituto, William Schepis, a integração entre cultura e meio ambiente fortalece a consciência coletiva. “A iniciativa reforça a urgência de restaurar nossa relação com a natureza e amplia o diálogo entre povos indígenas, sociedade civil e poder público, promovendo cooperação, inclusão e reconhecimento da diversidade que forma nossa identidade litorânea”, afirmou.
A ação se alinha ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16 da ONU, que trata de paz, justiça e instituições eficazes, e reforça o compromisso com práticas culturais, sociais e ambientais sustentáveis em Santos.

