Um novo monitoramento ambiental encontrou 18.211 fragmentos de microlixo na Praia do Gonzaga, em Santos, entre setembro e dezembro de 2025. O Instituto Mar Azul (IMA) coordenou o levantamento dentro do Projeto de Monitoramento de Microlixo e finalizou a análise após o 4º Mutirão de Limpeza de Praia, realizado no sábado (20).
A pesquisa analisou a faixa de areia em frente à Praça das Bandeiras, um dos pontos mais frequentados da orla santista. A equipe delimitou a área de coleta por transectos, técnica que permite identificar padrões e acompanhar a evolução dos resíduos ao longo do tempo.
Os plásticos apareceram como o principal problema ambiental, com 9.347 fragmentos recolhidos. As bitucas de cigarro ficaram em segundo lugar, com 4.103 unidades, seguidas por 2.337 fragmentos de papel. Juntos, esses resíduos representam a maior parte do microlixo presente na praia.
O estudo também apontou aumento significativo de itens como pinos Eppendorf, tampas plásticas e metálicas e canudos plásticos. Mesmo proibidos por lei municipal desde 2019, os canudos continuam presentes na areia, o que reforça a dificuldade de fiscalização e de mudança de comportamento.
O projeto recebeu recursos da Emenda Parlamentar nº 214, indicada em 2024 pelo vereador Marcos Oliveira Libório, e contou com parceria entre o Instituto Mar Azul e a Prefeitura de Santos, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade.
Para o diretor-presidente do Instituto Mar Azul, Hailton Santos, os números acendem um alerta. “Os dados mostram que o descarte irregular continua alto. A preservação das praias depende de atitudes diárias da população e de ações contínuas do poder público”, afirma.
Atuação do Instituto Mar Azul
Criado oficialmente em 2013, o Instituto Mar Azul atua na proteção das praias e da vida marinha em Santos. A organização surgiu a partir do Manifesto Onda Azul, em 2012, motivado pela preocupação com o avanço do microlixo na orla.
Desde então, o instituto já realizou 145 mutirões de limpeza e retirou mais de 1 milhão de fragmentos de resíduos da areia, dos calçadões, da Ilha Urubuqueçaba e do mar. Entre os materiais mais recolhidos estão plásticos, bitucas de cigarro, isopor, papel, metal e madeira.

