Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde

O uso de canetas emagrecedoras por pessoas idosas exige atenção redobrada e acompanhamento profissional para evitar prejuízos à saúde e à capacidade funcional. O alerta partiu do presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Leonardo Oliva, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo o geriatra, idosos que utilizam essas medicações sem orientação médica ficam mais expostos a efeitos adversos imediatos, como náuseas, vômitos e redução do apetite. Esses sintomas dificultam a ingestão adequada de alimentos e líquidos, aumentam o risco de desidratação e podem provocar distúrbios eletrolíticos, considerados graves nessa faixa etária. Com o tempo, o quadro também pode evoluir para desnutrição.

Oliva destacou que a perda de massa muscular representa um dos principais riscos do emagrecimento em idosos. Dados clínicos mostram que cerca de um terço do peso eliminado com o uso dessas medicações corresponde à massa magra.

“Não existe emagrecimento apenas de gordura. O corpo perde gordura, mas também perde músculo”, afirmou.

Na população idosa, essa redução muscular compromete diretamente a capacidade de realizar atividades básicas do dia a dia, como caminhar, levantar-se ou manter o equilíbrio. Em muitos casos, essa perda não se reverte totalmente.

O diretor-científico da SBGG, Ivan Aprahamian, reforçou que a combinação entre menor apetite, náuseas e perda rápida de peso pode desencadear síndromes geriátricas, como sarcopenia e fragilidade física.

Uso correto e indicação médica

Leonardo Oliva explicou que as chamadas canetas emagrecedoras tratam doenças específicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e apneia do sono. Ele fez um alerta contra o uso com finalidade estética.

“Não existe indicação médica para usar essas medicações com o objetivo de perder dois ou três quilos ou reduzir gordura localizada”, afirmou.

O presidente da SBGG classificou as canetas como uma inovação relevante da medicina, desde que utilizadas de forma adequada. “Elas ajudam no tratamento de doenças crônicas graves, mas exigem critério e acompanhamento”, disse.

A entidade também alerta para o uso indiscriminado dessas medicações, impulsionado pela busca pelo corpo ideal. Segundo a SBGG, a automedicação pode colocar a saúde em risco, especialmente entre idosos.

Acompanhamento multiprofissional

Para idosos com indicação clínica, o tratamento da obesidade deve incluir acompanhamento médico, nutricional e orientação para a prática regular de atividade física. Exercícios de fortalecimento muscular, como a musculação, ajudam a reduzir a perda de massa magra durante o emagrecimento.

Oliva orientou que o emagrecimento não ocorra de forma acelerada. “Quanto mais rápido o emagrecimento, maior a tendência de perda muscular”, explicou.

Ele ressaltou a importância de uma alimentação adequada, com ingestão suficiente de proteínas, vitaminas e minerais, além da prática regular de exercícios físicos. O cuidado com a saúde emocional também faz parte do processo.

“A restrição calórica traz desafios psicológicos. Por isso, o acompanhamento emocional também se torna fundamental”, afirmou.

Envelhecimento e foco na saúde

O geriatra destacou que o envelhecimento naturalmente favorece o acúmulo de gordura corporal e a redução de massa muscular. No entanto, ele reforçou que o objetivo do tratamento deve ir além da balança.

“Não se trata apenas de perder peso, mas de buscar mais saúde, funcionalidade e qualidade de vida”, disse.

Risco de medicamentos falsificados

Outro ponto de atenção envolve a compra de canetas emagrecedoras no mercado ilegal. Oliva alertou para a circulação de produtos falsificados, vendidos sem receita médica e sem controle sanitário.

“Quem compra esses produtos não sabe o que está injetando no próprio corpo. O risco envolve contaminação, infecções e substâncias desconhecidas”, afirmou.

Segundo ele, a exigência de receita médica garante que o paciente passe por avaliação adequada e receba acompanhamento para prevenir efeitos adversos.

“A receita não serve para facilitar o acesso ao medicamento, mas para proteger a saúde do paciente”, concluiu.

A SBGG reforça que idosos interessados nesse tipo de tratamento devem sempre procurar um médico e evitar qualquer forma de automedicação.

Redação Fatos Fontes

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