A Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, em Santos, contará com uma sala de acolhimento para mulheres em situação de vulnerabilidade e violência durante os dois dias de desfile de Carnaval. O atendimento acontecerá nesta sexta-feira (6) e sábado (7), a partir das 18h, no 1º andar do Centro Cultural da Zona Noroeste, anexo ao sambódromo, no bairro Castelo.
O espaço oferecerá atendimento sigiloso, escuta qualificada e encaminhamento para a rede de serviços sociais. Profissionais capacitados atuarão durante todo o período dos desfiles para garantir orientação, acolhimento e proteção às mulheres que procurarem apoio. A Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar darão suporte à iniciativa e reforçarão a segurança no local.
A proposta busca garantir que o ambiente festivo também promova respeito e cuidado, com um ponto de apoio acessível para mulheres que enfrentem qualquer situação de vulnerabilidade durante o evento.
A secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, Nina Barbosa, destacou o compromisso da Cidade com a proteção feminina. “Queremos que as mulheres se sintam seguras e amparadas também nos grandes eventos. A sala de acolhimento representa cuidado, escuta e orientação, para que nenhuma mulher fique sozinha”, afirmou.
Prevenção à violência sexual infantil
O Carnaval de Santos também contará com uma campanha de prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes, promovida pelo Instituto Liberta. Com apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, voluntários atuarão nos desfiles, no Carnacentro e nas tendas da orla.
A ação inclui apresentações do samba “Unidos da Proteção” e a distribuição de 50 mil ventarolas com mensagens de conscientização. A Secretaria de Desenvolvimento Social também distribuirá o material nos Centros de Convivência, que atendem crianças e adolescentes.
Dados do Instituto Liberta mostram que o Carnaval de 2024 registrou 73,9 mil denúncias de violações de direitos humanos no Brasil, um aumento de 38% em relação a 2023. Do total, 26 mil casos envolveram violência contra crianças e adolescentes. Em Santos, três mil denúncias ocorreram no período.
Segundo a presidente do instituto, Luciana Temer, de 8 a 10 estupros registrados no País têm crianças e adolescentes de até 17 anos como vítimas, mas apenas cerca de 10% dos casos chegam a ser denunciados. O canal de denúncia funciona pelo telefone 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. “Levamos a mensagem de forma leve e lúdica, usando a música de Carnaval para falar de prevenção”, explicou.
O secretário de Cultura, Rafael Leal, reforçou a importância da iniciativa. “O Carnaval celebra a alegria, mas também abre espaço para informação e cuidado. Por isso, apoiamos ações como esta”, disse.
A secretária de Desenvolvimento Social, Renata Bravo, destacou que a campanha fortalece a rede de proteção. “A conscientização no Carnaval é essencial, mas o cuidado com crianças e adolescentes precisa acontecer o ano todo, em todos os espaços”, afirmou.

