A primeira noite de desfiles do Carnaval Santista 2026 levou brilho, diversidade e emoção à Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, no Castelo, na sexta-feira (6). Sete escolas de samba, dos grupos de Acesso e Especial, empolgaram o público com enredos que exaltaram brasilidades, força feminina, ancestralidade, fantasia e identidade cultural.
Abriram os desfiles três agremiações do Grupo de Acesso — Brasil, Império da Vila e Bandeirantes do Saboó. Na sequência, quatro escolas do Grupo Especial — União Imperial, Real Mocidade, Vila Mathias e Mocidade Independência — encerraram a noite com arquibancadas lotadas e canto forte das comunidades.
A passagem da Corte Carnavalesca marcou oficialmente o início do Carnaval na Cidade. Entretanto, o Rei Momo Fábio Rocha Baptista, o Fábio Sorriso, a Rainha Lumara Sampaio Afonso, a Princesa Juliana da Silva Gonçalves, o Cidadão Samba Francisco Ignácio Baliza e a Cidadã Samba Conceição Simões Lotério desfilaram sob aplausos e deram o tom da festa popular.
Brasil abre os desfiles com celebração da identidade nacional
Primeira escola a entrar na avenida, a Brasil levou ao sambódromo o enredo “Hoje é dia de Brasilidades”. Com cerca de 500 componentes, 14 alas e um carro alegórico, a agremiação transformou a avenida em um retrato vibrante da cultura brasileira.
A escola exaltou a ancestralidade, o sincretismo religioso, a capoeira, o artesanato e a musicalidade do país. Referências a nomes como Machado de Assis, Clarice Lispector, Tom Jobim, Cartola e Luiz Gonzaga reforçaram a proposta de valorizar a diversidade cultural como força da identidade nacional.
Império da Vila destaca a força feminina
Com 700 componentes em 12 alas, a Império da Vila apresentou o enredo “Maria Faces da Mulher – A Força Feminina que Une o Céu e a Terra”. A escola celebrou a mulher como elo entre fé, maternidade, resistência e espiritualidade.
Ademais, as fantasias de cores intensas e os carros alegóricos destacaram o sincretismo religioso e transformaram a figura de Maria em símbolo universal da mulher ao longo do tempo.
Bandeirantes do Saboó mistura fantasia e carnaval
A Bandeirantes do Saboó apostou na fantasia com o enredo “Alice no Carnaval das Maravilhas – Loucura é não sambar”. A escola levou 350 componentes distribuídos em 10 alas e celebrou os 30 anos de fundação.
Contudo, personagens clássicos da obra de Lewis Carroll ganharam versões carnavalescas, como o Ritmista Maluco, que substituiu o Chapeleiro Maluco à frente da bateria.
União Imperial comemora 50 anos com fé e espiritualidade
Primeira do Grupo Especial, a União Imperial celebrou seus 50 anos com o enredo “A Consagração em Orixá: Renascer em União é a Chave da Vida”. Com cerca de 1.500 componentes, 11 alas, três carros alegóricos e um quadripé, a escola emocionou o público.
A atriz Viviane Araújo e a dançarina Sheila Mello desfilaram à frente da bateria. Contudo, o desfile destacou símbolos das religiões de matriz africana e reforçou a mensagem de renascimento por meio da fé e da união.
Real Mocidade exalta Santos e a cultura caiçara
A Real Mocidade levou para a avenida o enredo “Santos 480 Anos: ‘Mundaréu’ do Povo, Cultura em Revolução”. Com 1.400 componentes, a escola homenageou a história, a cultura caiçara e os símbolos da Cidade.
Ademais, desfile fez referências à Padroeira Nossa Senhora do Monte Serrat, ao Santos Futebol Clube e aos principais pontos do Município, celebrando Santos como território de criação cultural.
Vila Mathias homenageia Pai Felipe e a resistência negra
Com o enredo “Rei Batuqueiro — O Som que Ecoa do Quilombo ao Carnaval”, a Vila Mathias levou à passarela uma homenagem a Pai Felipe, líder quilombola e símbolo da resistência negra.
Entretanto, a escola desfilou com mil componentes, 10 alas e três carros alegóricos, destacando a ancestralidade africana, a luta contra a escravidão e a contribuição histórica do homenageado para o samba.
Mocidade Independência encerra a noite com magia e fábulas
Última escola a desfilar, já na madrugada de sábado (7), a Mocidade Independência apresentou o enredo “No Reino das Fábulas… Era uma vez, o Encanto”. Com 1.500 componentes, 12 alas e três carros alegóricos, a escola transformou a avenida em um universo lúdico.
Portanto, o Grilo Falante, símbolo da agremiação, abriu o desfile interpretado por uma criança. A escola celebrou seus 50 anos com fantasia, emoção e a promessa de brigar pelo título inédito do Grupo Especial.
Solidariedade também desfila no Carnaval Santista
Além do espetáculo, o Carnaval Santista também movimenta ações solidárias. Nove entidades ligadas ao Fundo Social de Solidariedade atuam na praça de alimentação da Passarela do Samba.
Segundo Rui Lopes, vice-presidente do Núcleo de Reabilitação de Deficiência Intelectual São Vicente de Paulo (Nurex), a expectativa é de reforço financeiro para a entidade. Já Laurindo Tasso, diretor financeiro da Cruzada das Senhoras Católicas, afirma que a renda vai reforçar a alimentação e a compra de material pedagógico.
Programação segue neste sábado (7)
Neste sábado (7), os portões da Passarela do Samba abrem às 18h, com início dos desfiles às 20h. Entram na avenida quatro escolas do Grupo de Acesso — Imperatriz Alvinegra, Dragões do Castelo, Zona Noroeste e Sangue Jovem — seguidas por quatro do Grupo Especial: Padre Paulo, Amazonense, X-9 e Unidos dos Morros.
A operação de segurança mobiliza 110 agentes da GCM por noite, com apoio da PM, câmeras e equipes da Saúde.

