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O uso de medicamentos análogos ao GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, cresceu de forma acelerada no Brasil e trouxe um problema ambiental ainda pouco enfrentado. Dados do Sindusfarma apontam alta de 25,5% nas vendas entre 2024 e 2025, com mais de 5,8 milhões de unidades comercializadas.

O aumento do consumo amplia também o volume de resíduos gerados. A pesquisadora Suzete Caminada, da Universidade de São Paulo, alerta que o descarte incorreto pode contaminar água e solo. Substâncias hormonais presentes nesses medicamentos podem interferir no equilíbrio ambiental.

As canetas exigem cuidados específicos no descarte. Elas reúnem plástico, vidro e agulhas, o que dificulta a separação correta. As agulhas, classificadas como perfurocortantes, oferecem risco direto para pessoas e não podem ser descartadas no lixo comum.

A falta de informação agrava o cenário. Parte da população não sabe onde descartar esse tipo de material, e muitos estabelecimentos não contam com coletores adequados. Em regiões fora dos grandes centros, a estrutura de coleta é ainda mais limitada.

A regulamentação atual não cobre totalmente o descarte doméstico. A Anvisa define regras para resíduos de serviços de saúde, mas não inclui o uso em casa. Já a norma técnica da ABNT orienta o armazenamento seguro, porém não tem força de lei.

Diante das lacunas, especialistas defendem campanhas educativas e ampliação dos pontos de coleta. Iniciativas isoladas de empresas e governos locais já surgem, mas ainda não alcançam todo o país.

O avanço dessas medicações exige resposta rápida. Sem orientação adequada e estrutura de descarte, o benefício clínico pode gerar impactos ambientais e riscos à saúde coletiva.

Redação Fatos Fontes

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