Foto: Divulgação/PMS

Quando crianças desenham o mundo, costumam retratar nuvens sorridentes, arco-íris e pessoas queridas. Em muitos casos, porém, a violência sexual interrompe essa infância de forma precoce. Entre janeiro e março deste ano, quase 3 mil crianças e adolescentes sofreram abuso ou violência sexual no Estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.

A realidade ganha destaque nesta segunda-feira (18), data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Em Santos, a campanha Maio Laranja reforça iniciativas já previstas em legislação municipal, como a Lei nº 2.981/2014, que amplia ações preventivas e educativas. Ao longo do mês, a Cidade promove caminhada, mostra cultural e o Bonde da Conscientização para mobilizar a população.

Atendimento especializado acolhe vítimas e famílias

O Programa de Atenção Integral às Vítimas de Violência Sexual (Paivas), ligado à Secretaria Municipal de Saúde, concentra parte do atendimento especializado às vítimas. Desde 2023, o serviço recebe encaminhamentos das UPAs e unidades básicas de saúde e oferece suporte médico e psicossocial para pessoas de todas as idades.

A equipe acompanha cerca de dez casos por semana. Em 2025, o programa registrou 101 atendimentos de menores — 56 crianças e 45 adolescentes. Neste ano, já soma 29 novos casos.

Os profissionais identificam que aproximadamente 90% das ocorrências envolvem pessoas próximas às vítimas, como pais, padrastos e avós. O serviço já acolheu até bebês de um ano de idade.

Para facilitar a comunicação das crianças durante o tratamento, o programa utiliza atividades lúdicas, como desenhos e pinturas. As técnicas ajudam os pacientes a expressar sentimentos difíceis de verbalizar e auxiliam no acompanhamento terapêutico.

A coordenadora de Controle de Doenças Infectocontagiosas, Michelle Cunha, relembra um dos casos atendidos. Segundo ela, uma menina pequena pintou toda a folha de preto para demonstrar o que sentia naquele momento.

Durante o acompanhamento, equipes multidisciplinares incentivam crianças e adolescentes a retomarem vínculos afetivos, sonhos e atividades de bem-estar. O girassol, símbolo da campanha Maio Laranja, representa a necessidade de trazer luz a uma realidade frequentemente silenciada.

Ambiente digital amplia desafios no enfrentamento

A Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Infantojuvenil (Ceviss) atua na articulação da rede de proteção e reúne representantes do poder público e da sociedade civil para fortalecer políticas públicas de prevenção e atendimento.

A coordenadora da comissão, Christiane Andréa, afirma que o ambiente digital se tornou um dos principais desafios no combate à exploração sexual de adolescentes.

Segundo ela, a exploração migrou para redes sociais e jogos online, enquanto muitas políticas públicas ainda permanecem estruturadas para o mundo físico, o que dificulta ações de monitoramento e prevenção.

A campanha do 18 de Maio relembra o Caso Araceli, que se transformou em símbolo nacional da luta contra a violência sexual infantojuvenil.

Rede de proteção reúne educação, assistência e direitos humanos

A estrutura de proteção em Santos envolve diferentes áreas da administração pública e da sociedade civil.

O Departamento de Direitos Humanos e Cidadania (Depacid) e a Coordenadoria da Infância e Juventude (Cojuv) articulam políticas intersetoriais de proteção integral. O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) atua na fiscalização das garantias legais.

Os Conselhos Tutelares recebem denúncias e acompanham crianças e adolescentes em situação de risco em diversas regiões da Cidade.

Na educação, estudantes participam de atividades culturais, esportivas e científicas por meio de projetos como o Grêmio Estudantil e o programa Santos Jovem Doutor, desenvolvido em parceria com a USP.

A rede de assistência social também mantém ações de fortalecimento de vínculos familiares nos Centros de Convivência e nos CRAS. Entre os equipamentos em funcionamento está o Centro de Convivência Rádio Clube, reformado para ampliar atividades artísticas e lúdicas.

O Abrigo Paraná oferece acolhimento temporário para mulheres em situação de vulnerabilidade social e seus filhos, com atendimento psicológico e encaminhamento profissional.

Já a Semana do Brincar e a Semana da Juventude promovem atividades educativas, culturais e de conscientização voltadas à infância e ao protagonismo jovem.

A iniciativa integra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU relacionados à saúde, educação e fortalecimento das instituições de proteção social.

Redação Fatos Fontes

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