O Santos Futebol Clube terminou o primeiro trimestre de 2025 com um prejuízo de R$ 37.416.612, segundo relatório apresentado pelo Conselho Fiscal na reunião do Conselho Deliberativo realizada na última segunda-feira (30). O valor supera em mais de R$ 14 milhões o que estava previsto no orçamento, que estimava déficit de R$ 23.260.917 para o período.
Entre janeiro e março, o clube arrecadou R$ 174,9 milhões, número bem acima dos R$ 121,9 milhões projetados. Mesmo com o crescimento da receita, os custos operacionais subiram de forma descontrolada e chegaram a R$ 154,8 milhões — 66% acima do previsto.
Os principais gastos envolveram salários, encargos e direitos de imagem, que juntos somaram R$ 61 milhões. As despesas totais com o elenco profissional bateram R$ 79,6 milhões no trimestre, quase o triplo dos R$ 27,1 milhões registrados no fim de 2024. Os maiores desembolsos ocorreram em fevereiro e março.
O relatório também mostra aumento nas dívidas com fornecedores, contratações e intermediações. Essas obrigações passaram de R$ 156 milhões para R$ 309 milhões. Só com luvas e comissões, o clube acumula cerca de R$ 150 milhões em compromissos de curto e longo prazo.
Outro ponto que pressiona o caixa santista são os acordos judiciais e parcelamentos com Receita Federal e INSS. As dívidas trabalhistas cresceram de R$ 130 milhões para R$ 175 milhões em apenas três meses, o que eleva o valor das parcelas mensais a serem pagas.
Conselho Fiscal
O Conselho Fiscal recomendou maior controle orçamentário e destacou que o déficit acumulado até março representa mais de 40% do prejuízo total estimado para o ano, que é de R$ 89,5 milhões. O documento foi assinado em 15 de maio.
Apesar do cenário financeiro delicado, o programa Sócio Rei apresentou crescimento expressivo. O número de associados subiu de 45.799 para 73.145, impulsionado pela expectativa de retorno de Neymar. A arrecadação com o programa alcançou R$ 17,5 milhões no trimestre.
Mesmo com a alta nas receitas, o clube segue com patrimônio líquido negativo. Ao fim de março, o Santos FC apresentava um passivo a descoberto de R$ 567,3 milhões, aumento em relação aos R$ 529,9 milhões registrados no encerramento de 2024.

