Foto: Reprodução/MP-SP

O Governo de São Paulo iniciou uma obra de R$ 12 milhões para conter o avanço da erosão no Estreito do Melão, na Ilha do Cardoso, em Cananéia. O projeto terá duração de nove meses e pretende estabilizar o trecho mais afetado pelo deslocamento de areia, reduzindo o risco de rompimento da faixa de terra.

A Fundação Florestal conduz a intervenção em parceria com a SP Águas. As equipes utilizam a técnica de dragagem para retirar e reposicionar sedimentos, fortalecendo o cordão arenoso que protege a região contra o avanço do mar.

Mudanças climáticas aceleram a erosão

Segundo especialistas, a ação da água e do vento provoca o processo de erosão. Além disso, o aumento do nível do mar e os eventos climáticos extremos intensificaram o desgaste da faixa de areia nos últimos anos.

Por esse motivo, o Governo de São Paulo decidiu executar a obra como medida preventiva para evitar novos danos ambientais e sociais.

Geotubos reforçam a proteção da área

Nesta primeira fase, as equipes instalam geotubos na faixa voltada para o oceano. As estruturas recebem areia e reforçam o cordão arenoso sem causar impactos ambientais.

De acordo com o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, a estrutura ajudará a impedir o rompimento do Estreito do Melão. Além disso, a medida aumentará a proteção das comunidades localizadas ao norte da ilha.

Comunidades podem evitar novos prejuízos

Um eventual rompimento do estreito afetaria diretamente as comunidades da Enseada da Baleia, Vila Rápida e Marujá. Ao mesmo tempo, a mudança colocaria em risco um importante complexo de manguezais.

Além dos impactos ambientais, a ruptura comprometeria a pesca artesanal, a navegação e outras atividades que garantem renda para os moradores da região.

Ministério Público acompanhou o processo

O Ministério Público de São Paulo acompanhou a contratação da obra desde o início. Promotores realizaram vistorias com representantes da Defensoria Pública, lideranças comunitárias e equipes técnicas dos órgãos estaduais.

Dessa forma, o órgão fiscalizou todas as etapas do processo antes do início da intervenção.

Moradores comemoram o início da obra

Representantes das comunidades tradicionais consideram a obra uma conquista após anos de mobilização.

O engenheiro ambiental Jorge Cardoso, morador da Enseada da Baleia, afirmou que a intervenção representa um marco para as famílias caiçaras. Segundo ele, os moradores desejam permanecer em seus territórios e preservar o vínculo histórico com a região.

Na mesma linha, a cientista social Tatiana Cardoso destacou que a obra reduz riscos e fortalece a permanência das comunidades tradicionais em seus espaços.

Parecer técnico apontou risco de rompimento

Em março deste ano, o Ministério Público apresentou à Justiça de Cananéia um parecer técnico que identificou risco iminente de rompimento do Estreito do Melão.

Na ocasião, o documento mostrou que a faixa de terra havia diminuído para cerca de 50 metros no trecho mais crítico. Caso o rompimento ocorresse, uma nova ilha poderia surgir, isolando moradores e modificando a dinâmica ambiental da região.

Por isso, a Justiça determinou que a Fundação Florestal e o Governo de São Paulo elaborassem um plano emergencial para proteger a área.

Vale lembrar que, em 2018, outro rompimento alterou a configuração da Ilha do Cardoso e obrigou comunidades tradicionais a deixarem suas áreas de origem.

Redação Fatos Fontes

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