Quem passa pelo Aquário de Santos, fechado para reforma desde junho de 2025, talvez não perceba uma importante obra que acontece logo ao lado. Debaixo das águas da Ponta da Praia, uma barreira formada por geotubos trabalha continuamente para diminuir os impactos das ressacas e combater a erosão costeira.
O sistema funciona de maneira simples: os geotubos criam uma área mais rasa no mar. Assim, as ondas quebram antes de chegar à areia e perdem força. Dessa forma, a água chega com menos impacto à orla, principalmente durante os períodos de mar agitado.
Tecnologia utiliza areia da própria praia
De acordo com o pesquisador Tiago Zenker Gireli, da Unicamp, a estrutura utiliza um geotecido resistente ao atrito com o mar. Além disso, os grandes tubos recebem areia retirada da própria praia, formando uma barreira semelhante a um grande travesseiro submerso.
Depois do preenchimento, os equipamentos ficam alinhados no fundo do mar e criam uma proteção capaz de reduzir a energia das ondas. Com isso, a praia consegue reter mais sedimentos e diminuir os efeitos da erosão.
Projeto pioneiro terá nova etapa
O projeto-piloto começou na Ponta da Praia, próximo ao Canal 6, com cerca de 500 metros de extensão. Agora, após avaliações técnicas positivas, a iniciativa avançará para uma nova fase.
A Autoridade Portuária de Santos (APS) financiará a ampliação da estrutura, que chegará a aproximadamente 1,4 quilômetro entre os canais 4 e 6. Além disso, o projeto prevê novos módulos nos bairros Aparecida e Embaré.
Segundo a APS, a expansão seguirá o mesmo modelo utilizado na primeira etapa e buscará aumentar a retenção de areia e reduzir ainda mais a força das ondas.
Moradores percebem mudanças na região
Além dos estudos técnicos, moradores e frequentadores também relatam melhorias na área.
O aposentado Crisvaldo Lino, que frequenta a Ponta da Praia, afirma que percebe menor impacto das ondas durante as ressacas. Da mesma forma, a professora de canoa havaiana Rosemeire Ratzka Guedes destaca que os alunos observam a diferença ao comparar a situação atual com períodos anteriores de erosão.
Licenciamento define início da expansão
Por fim, a ampliação do projeto depende da análise ambiental da Cetesb. O órgão avalia os procedimentos necessários para autorizar a instalação dos novos trechos de proteção costeira.
Enquanto isso, pesquisadores e autoridades acompanham os resultados da primeira etapa. A expectativa é que a tecnologia ajude Santos a enfrentar os desafios causados pelo avanço da erosão e pelo aumento dos eventos climáticos extremos.

