Foto: Florencia Luna

O Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas chega à sua 8ª edição entre 3 e 13 de setembro de 2026 e transforma a Baixada Santista em um grande palco para as artes cênicas. Ao longo de 11 dias, o festival reúne 41 espetáculos de 15 países e promove 16 ações formativas em Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.

Nesta edição, o festival homenageia o Equador e amplia o diálogo entre artistas latino-americanos, brasileiros e representantes da Península Ibérica. Além disso, a programação integra as comemorações dos 80 anos do Sesc.

Equador ganha destaque na programação

O festival coloca a produção equatoriana no centro da programação. Ao todo, a mostra dedicada ao país reúne sete espetáculos e apresenta diferentes perspectivas sobre a cultura, a ancestralidade e os conflitos sociais do Equador.

Para abrir o Mirada, o Colectivo Mitómana apresenta ME·DE·AS, nos dias 3 e 4 de setembro, no Teatro Sesc Santos. A montagem revisita o mito de Medeia e aborda maternidade, luto coletivo e resistência às estruturas patriarcais. Para isso, a companhia combina canto, dança e coralidade.

Além disso, a programação equatoriana inclui Papakuna – Agroteatro Cómico Musical, da Colectiva Yama. O espetáculo resgata tradições andinas ligadas ao cultivo de batatas nativas e valoriza a cultura comunitária.

Outro destaque, La Trocha, acompanha experiências de pessoas que atravessam a fronteira entre Colômbia e Equador. A criação de Johana Sánchez Armas e Melina Seldes utiliza essas trajetórias para discutir migração e deslocamento.

Artistas de diferentes países ampliam os diálogos

A Mostra Internacional reúne artistas da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, Guatemala, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.

Pela primeira vez, o festival recebe uma produção da Guatemala. Com isso, o Mirada amplia a presença caribenha e fortalece o intercâmbio entre diferentes territórios.

Entre os destaques, a espanhola Angélica Liddell apresenta Seppuku – El funeral de Mishima o El placer de morir. A montagem parte da figura do escritor japonês Yukio Mishima e combina erotismo, ritual e referências ao teatro nô.

Já a chilena Manuela Infante apresenta VAMPYR. A artista utiliza o mito do vampiro para refletir sobre a relação entre natureza e cultura e discutir os impactos ambientais provocados pela produção de energia eólica.

Por sua vez, AYOUB – El amor me enseña a no amar, de Marina Otero e Ibrahim Ibnou Goush, questiona o colonialismo afetivo a partir da relação entre uma sul-americana e um homem marroquino.

Produção brasileira ganha espaço

A Mostra Nacional apresenta um panorama da produção cênica brasileira e reúne artistas de diferentes estados.

Entre as estreias nacionais, o público poderá conferir …ao mesmo tempo…, parceria entre o LUME Teatro e a Cia. Clowns de Shakespeare. A montagem cria um banquete cênico nonsense para investigar tempo, memória e passagem dos dias.

Além disso, a Cia. Extemporânea apresenta Macbeth com um elenco formado por drag queens. A montagem aproxima a dramaturgia de William Shakespeare da linguagem drag contemporânea.

O Grupo Clariô de Teatro, por sua vez, comemora duas décadas de trajetória com Casa do Norte. O espetáculo aborda migração, resistência cultural, memória e afeto.

Festival ocupa teatros, praças e espaços históricos

O Mirada também leva as artes cênicas para além dos palcos tradicionais. Por isso, artistas ocupam praças, mercados, centros culturais e espaços históricos da Baixada Santista.

A performance Horário Comercial, do Theatro Fúria, questiona o significado do trabalho e do tempo. Durante nove horas, um trabalhador amarra e desamarra nós em um cabo sem construir qualquer objeto.

Já TESORO, Santos, da chilena Paula Aros Gho, convida o público para uma experiência sonora pela cidade. Crianças e jovens entre 7 e 15 anos conduzem o percurso por meio de suas vozes.

Da mesma forma, Sonhar o Ócio, da artista Diez, propõe uma experiência de seis horas para estimular a reflexão sobre a importância do tempo livre na sociedade contemporânea.

Programação aborda questões atuais

Os espetáculos do Mirada atravessam temas como migração, ancestralidade, mudanças ambientais, desigualdade, gênero, trabalho, memória e relações familiares.

Nesse contexto, Pés-coração, do Coletivo Labirinto, utiliza a corrida como metáfora para pensar a América Latina. A criação parte da cultura do povo indígena Rarámuri, conhecido por percorrer grandes distâncias a pé.

Enquanto isso, Borda, da Lia Rodrigues Companhia de Danças, utiliza o conceito de borda para refletir sobre fronteiras e margens sociais.

Outro destaque, Veias Abertas 60 30 15 seg, da Aquela Cia, parte da obra de Eduardo Galeano para discutir a formação histórica da América Latina.

Crianças e jovens também encontram espaço

O festival reúne atrações para diferentes idades. Entre elas, Diente de Leche, da Fundación Titerefué, apresenta ratos que recolhem dentes de leite para transformá-los em estrelas.

Já Sacha Wasi, Uma casa na selva, da Compañía Rosaval Gaspard, acompanha uma menina e sua avó em uma viagem por paisagens ligadas à comunidade indígena Kichwa, no Equador.

A Cia. de Feitos também apresenta Vovó Surrealista. Inspirado no livro de Carlos Canhameiro, o espetáculo acompanha uma avó analfabeta que inventa histórias enquanto finge ler para os netos.

Além dos espetáculos, o Mirada promove 16 ações formativas, entre oficinas, residências, vivências, bate-papos e sessões de autógrafos. Dessa maneira, o festival aproxima artistas e público e estimula a troca de experiências.

Sesc amplia programação cultural durante o festival

Durante o Mirada, o Sesc TV exibe filmes, documentários e séries relacionados ao universo das artes cênicas. O público também encontra esse conteúdo no Sesc Digital.

Além disso, o festival oferece recursos de acessibilidade. Os espaços contam com acesso para pessoas em cadeiras de rodas, enquanto algumas apresentações oferecem Libras, audiodescrição e acomodação sensorial.

O festival também utiliza legendas em português e espanhol nas apresentações nacionais e internacionais. Os espetáculos de rua ficam fora desse recurso.

Serviço

Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas
Data: 3 a 13 de setembro de 2026
Locais: Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.

Os ingressos custam R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia-entrada) e R$ 10 (Credencial Plena) para os espetáculos adultos. As atrações infantis custam R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 10 (Credencial Plena).

Crianças menores de 12 anos entram gratuitamente nas atividades infantis, mas precisam retirar ingresso.

Nos teatros de Cubatão, Guarujá e Praia Grande, o público não paga ingresso. Para assistir às apresentações, basta retirar antecipadamente os ingressos pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou pela Central de Relacionamento Digital.

O público pode consultar a programação completa no site do Sesc e no aplicativo MIRADA Festival Sesc SP.

Redação Fatos Fontes

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