A empresa espanhola Corazul estreia neste ano na temporada brasileira de cruzeiros com o Buenavista. Santos e Rio de Janeiro serão os portos de embarque do navio, que fará roteiros curtos e longos pelo litoral brasileiro.
A programação começa em novembro e inclui destinos como Búzios, Balneário Camboriú, Ilhabela e Salvador. A companhia também terá saídas especiais no Natal, no Réveillon e no Carnaval.
Com a chegada ao mercado brasileiro, a Corazul pretende disputar passageiros com MSC e Costa, empresas que atuam no país há décadas.
A estratégia da companhia será oferecer um produto menos formal, adaptado aos hábitos brasileiros e com atendimento mais próximo.
Segundo Camille Appeldoorn, diretor de operações da Corazul, o público inclui famílias, casais e grupos de amigos.
“Nosso público-alvo é amplo, mas o produto foi especialmente desenvolvido para famílias, casais e grupos de amigos brasileiros que buscam uma experiência de cruzeiro que relaxe e seja bastante social”, afirma.
Buenavista chega a Santos em outubro
A chegada do Buenavista a Santos está confirmada para 23 de outubro. As tarifas começam em R$ 2.399 por pessoa, além das taxas.
O navio possui cerca de 940 cabines e capacidade para aproximadamente 2 mil passageiros. Com esse porte, a embarcação é menor que a média dos navios que costumam operar na costa brasileira.
O MSC Preziosa, por exemplo, tem 1.751 cabines e capacidade para até 4.345 passageiros. Já o Costa Diadema conta com 1.862 cabines e pode receber até 4.947 hóspedes.
A estrutura do Buenavista inclui cinco restaurantes, sete bares e três piscinas. O navio também terá cinema, teatro, spa, academia, lojas e espaços para apresentações ao vivo.
Crianças e adolescentes terão áreas próprias. A programação também incluirá atividades durante o dia e à noite.
“O navio deve parecer vivo e envolvente durante todo o dia, e não apenas um meio de transporte entre os destinos”, afirma Appeldoorn.
Corazul aposta em adaptação ao público brasileiro
A companhia pretende adaptar a experiência a bordo aos hábitos dos brasileiros. Segundo Appeldoorn, a chamada “brasilianização” do produto vai além da inclusão de pratos e músicas nacionais.
A empresa também planeja ajustar os horários das refeições, a programação de entretenimento e o funcionamento de alguns espaços para o período da noite.
“Não queremos parecer uma versão temática do Brasil”, afirma o executivo.
O português será uma das principais línguas de comunicação e atendimento a bordo. A Corazul também pretende contratar brasileiros para funções de contato direto com os passageiros.
Empresa avalia trazer segundo navio
A Corazul estuda levar um segundo navio ao Brasil. A decisão dependerá dos resultados da primeira temporada.
A companhia vai analisar indicadores como demanda, ocupação, preço médio das tarifas, receitas a bordo, custos operacionais e satisfação dos passageiros.
O volume de reservas futuras e a resposta das agências de viagens também serão considerados.
“Nossa intenção é estabelecer a Corazul como uma presença recorrente no Brasil e, com o tempo, aumentar a capacidade se o mercado sustentar isso”, diz Appeldoorn.
Infraestrutura é desafio para o setor
Para a empresa, a infraestrutura portuária e a curta duração da temporada brasileira estão entre os principais desafios para o crescimento do setor.
Appeldoorn defende uma temporada mais longa para ampliar a oferta de cruzeiros no país e aumentar o retorno econômico gerado pelo turismo.
“O objetivo deve ser criar condições para que o Brasil atraia mais navios, opere uma temporada mais longa e gere maior valor econômico com o turismo de cruzeiros”, afirma.

