Foto: Reprodução/Defesa Civil de São Paulo

A lama tomou as ruas do centro de Eldorado (SP) nesta terça-feira (15), depois que a enchente do fim de semana deixou móveis, equipamentos e veículos destruídos. Com a água baixando durante a madrugada, moradores e comerciantes começaram uma corrida contra o tempo para retirar o que restou dos imóveis, limpar os estabelecimentos e calcular os prejuízos.

Chuva provoca estragos na região

As cidades do Vale do Ribeira registraram alguns dos maiores volumes de chuva de São Paulo nos últimos dias. Segundo boletim divulgado pela Defesa Civil nesta segunda-feira, dez das 22 cidades da região ficaram entre as que mais receberam chuva no período.

Em Eldorado, 60 famílias continuavam desabrigadas até as 10h30 desta terça-feira, segundo a Defesa Civil estadual. No Vale do Ribeira, o número chegava a 130 famílias desabrigadas e 20 desalojadas.

Em Sete Barras, cerca de 450 imóveis sofreram impactos da enchente, enquanto 25 pessoas precisaram deixar suas casas. Já em Registro, cerca de 150 pessoas ficaram desabrigadas e outras 11 tiveram de sair de suas residências.

Moradores tentam recomeçar

Sônia Maria de Azevedo, de 54 anos, passou a noite de domingo para segunda-feira sem dormir. Na manhã seguinte, ela procurou um centro cultural onde a Prefeitura de Eldorado montou um ponto de distribuição de materiais para conseguir produtos de limpeza para sua tapeçaria.

Sônia ainda não tinha conseguido voltar para casa. No domingo, ela deixou o imóvel de caiaque para escapar da enchente.

Ela conseguiu retirar as máquinas de costura da tapeçaria, mas perdeu mesas de corte e outros equipamentos. Com a ajuda de caminhões de bananeiros, também retirou móveis de casa.

Enquanto isso, muitos moradores percorriam as ruas para avaliar os danos e tentar salvar o que ainda podia ser aproveitado.

Comércio também sofre com a enchente

O comerciante Douglas Barreiros Guedes, de 36 anos, limpava a pizzaria, que funciona há cerca de um ano e meio, quando a porta de vidro estourou e cortou seu braço. Mesmo machucado, ele continuou usando o rodo para retirar a lama do estabelecimento.

Guedes calcula que precisará de cerca de dois meses para reabrir o negócio. A enchente destruiu a geladeira e vários outros equipamentos.

O açougueiro Drauzio Pontes, de 65 anos, também conhece bem os efeitos das enchentes. Ele mantém o comércio na rua Doutor Nuno Silva Bueno há 48 anos e já perdeu a conta de quantas vezes viu a água invadir o local.

Desta vez, Pontes conseguiu retirar quase todos os equipamentos antes de a água ultrapassar um metro de altura. No entanto, não conseguiu salvar uma das câmaras frias.

Água ultrapassa previsão

O prefeito de Eldorado, Noel Castelo da Costa (Solidariedade), mora praticamente em frente ao açougue de Pontes. Segundo ele, seus parentes também conseguiram retirar os principais pertences antes que a água atingisse a casa.

Costa considera essa a terceira maior enchente dos últimos anos, atrás apenas das ocorridas em 1997 e 2011.

O município recebeu um alerta do governo estadual antes da enchente e se preparou para uma elevação de até nove metros. No entanto, o nível do rio Ribeira do Iguape chegou a aproximadamente 12,5 a 13 metros, segundo o prefeito.

A Prefeitura de Eldorado abriu 11 abrigos para atender as famílias afetadas. Mesmo assim, equipes da Defesa Civil ainda não conseguiram chegar a alguns bairros. Por isso, o município ainda não tem uma estimativa completa dos danos.

Famílias continuam isoladas

Na noite de segunda-feira, equipes de resgate chegaram de barco à aldeia indígena do Taquari e levaram ajuda aos moradores.

Além disso, algumas famílias continuam isoladas em diferentes pontos da cidade. Na região da rua RB, também conhecida como rua Doutor Júlio César da Silva, a cerca de 300 metros do centro, a água ainda impede o acesso a pé.

Tiago Lima, de 31 anos, enfrentou uma situação semelhante. No sábado, ele precisou escolher entre proteger sua própria casa, no centro, ou ajudar a mãe, que mora na região da rua RB. Ele decidiu ir até a casa dela.

Quando voltou para sua residência na segunda-feira, encontrou quase todos os móveis destruídos. Naquele momento, Tiago retirava o fogão e outros objetos para a calçada.

Agora, ele tenta limpar o imóvel e reconstruir a vida depois da enchente.

Chuvas atingem Paraná e São Paulo

Os temporais começaram na quarta-feira (9), quando fortes chuvas atingiram o Paraná. A água provocou a cheia de rios que cortam a região do Vale do Ribeira e causou problemas no abastecimento de água e energia, além de interdições em rodovias.

Meteorologistas relacionam as condições climáticas aos efeitos do El Niño, fenômeno que influencia os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões.

Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, sócio-diretor da Nottus, o fenômeno costuma favorecer chuvas no Sul do Brasil, mas seus efeitos podem alcançar áreas mais ao norte.

A previsão indica que Paraná e São Paulo ainda podem enfrentar períodos de chuva intensa nas próximas semanas.

Redação Fatos Fontes

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