O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) 192 registrou aumento de 12% nos chamados classificados como de baixa prioridade em Santos. Entre janeiro e agosto de 2026, a central recebeu 13.369 ocorrências desse tipo, contra 11.854 no mesmo período de 2025.
A classificação considera situações sem indicação de risco iminente de morte ou comprometimento de funções vitais. Entre as queixas aparecem dores de cabeça e abdominais, vômitos e diarreia. Em muitos casos, o morador pode procurar uma policlínica para avaliação e tratamento.
Dor de cabeça lidera chamados
A dor de cabeça ocupa o primeiro lugar entre os chamados de baixa prioridade. A central registrou 9.227 ocorrências entre janeiro e agosto de 2026, contra 8.073 no mesmo período de 2025. O crescimento chegou a 14%.
As dores abdominais aparecem na sequência. O Samu recebeu 3.291 chamados entre janeiro e agosto deste ano, ante 2.943 no mesmo período do ano passado, alta de 11%.
Segundo o secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, o uso inadequado do serviço pode comprometer o atendimento de casos mais graves.
“Os chamados de baixa prioridade demandam recursos que poderiam estar disponíveis para ocorrências de maior gravidade”, explica.
Trotes caem 24%
Os trotes também entram na classificação de baixa prioridade. Apesar de ainda fazerem parte da rotina da central, os chamados desse tipo caíram 24% em Santos.
Entre janeiro e agosto de 2025, o Samu recebeu 3.486 trotes. No mesmo período de 2026, o número caiu para 2.633.
O coordenador do Samu Santos, Marcelo Ismail, explica que a equipe nem sempre consegue identificar uma falsa ocorrência durante a ligação. Nesses casos, uma ambulância pode seguir até o endereço informado e descobrir apenas no local que não existe uma emergência.
Esse deslocamento ocupa ambulâncias e profissionais que poderiam atender pessoas em situações de emergência.
Quando acionar o Samu 192
O Samu deve receber chamados de situações que envolvam risco à vida ou necessidade de atendimento de urgência. Entre os principais casos estão:
- Parada cardiorrespiratória;
- Engasgo total ou obstrução grave das vias aéreas;
- Falta de ar grave;
- Hemorragia externa intensa;
- Trauma grave;
- Ferimentos por arma de fogo ou arma branca em regiões críticas;
- Convulsões prolongadas ou repetitivas;
- Dor no peito com sinais de instabilidade;
- Anafilaxia grave;
- Afogamento com dificuldade respiratória;
- Suspeita de AVC com alteração neurológica aguda;
- Fraturas expostas;
- Crises asmáticas moderadas ou graves;
- Hipoglicemia com sintomas;
- Intoxicações com alterações clínicas relevantes.
O Samu utiliza uma classificação de risco por cores para definir a prioridade de cada ocorrência. A equipe considera as informações fornecidas durante a ligação para o telefone 192 e organiza os recursos de acordo com a gravidade do caso.
- Vermelha: atendimento em até 15 minutos;
- Laranja: atendimento em até 30 minutos;
- Amarela: atendimento em até 60 minutos;
- Verde: atendimento em até 120 minutos;
- Azul: atendimento em até 240 minutos.
Quando procurar outro serviço de saúde
Queixas leves e estáveis, problemas crônicos sem piora, pequenos cortes, contusões, dores musculares sem sinais de gravidade e sintomas antigos sem agravamento geralmente não exigem atendimento emergencial do Samu.
Também entram nessa categoria dores de cabeça sem sinais de alerta, pequenas queimaduras, ferimentos sem sangramento significativo e pedidos de transporte sem indicação de emergência.
Em situações sem risco imediato, o morador pode procurar uma policlínica ou outro serviço de saúde adequado ao caso.
Como funciona a central 192
Ao ligar para o Samu, o morador primeiro conversa com um técnico auxiliar de regulação médica. O profissional coleta informações sobre a situação e o endereço da ocorrência.
Depois, o médico regulador avalia o caso, define a conduta e determina a prioridade para o envio dos recursos. A equipe também pode orientar o morador quando a situação não caracteriza uma urgência ou emergência médica.
Samu Santos conta com 15 ambulâncias
Atualmente, o Samu Santos conta com 15 ambulâncias, distribuídas entre modalidades de suporte básico, intermediário e avançado de vida. A estrutura também inclui cinco motolâncias e três quadriciclos.
Os veículos ficam distribuídos em dez bases descentralizadas pelo município. A Prefeitura também desenvolve campanhas e ações de conscientização para orientar a população sobre o uso correto do serviço.

