Foto: Divulgação/PMS

O teatro ganhou espaço nas atividades de cuidado com a saúde mental no Centro de Atenção Psicossocial da Zona Noroeste (Caps ZNO), em Santos. A unidade, localizada na Rua Bulcão Viana, 853, no bairro Castelo, promove uma oficina teatral às sextas-feiras, às 10h, com participação voluntária dos usuários.

A iniciativa busca ampliar o acesso à arte e estimular a expressão de sentimentos, a criatividade e a convivência social. Atualmente, o Caps ZNO atende mais de quatro mil usuários.

Teatro do oprimido estimula a reflexão

A oficina utiliza a metodologia do teatro do oprimido, que incentiva os participantes a assumir tanto o papel de espectadores quanto o de atores. Durante as atividades, eles encenam situações cotidianas e experimentam alternativas para enfrentar conflitos e desafios da vida em sociedade.

As cenas incluem desde consultas médicas até situações de preconceito e opressão. Com os exercícios, os participantes trabalham a expressão corporal, a memória, a interação e a compreensão das próprias experiências.

O acompanhante terapêutico e ator Pedro Libâneo conduz a oficina e destaca o potencial da linguagem teatral no cuidado com os usuários.

“Acredito que o teatro é uma ferramenta muito importante para nos expressarmos de maneiras não convencionais. É sobre entendermos que o corpo tem muito conhecimento, e a memória também”, comenta.

Atividade valoriza experiências pessoais

Pedro Libâneo explica que a oficina também acolhe questões sociais e econômicas que fazem parte da realidade dos participantes. Para ele, o teatro oferece oportunidades para que os usuários reflitam sobre essas experiências e encontrem novas formas de lidar com os desafios do cotidiano.

“Não estamos preocupados em formar grandes atores ou fazer grandes espetáculos, mas fazer com que as pessoas reflitam sobre a sua realidade, de modo que consigam trazer para a cena as questões que estão internalizadas, ocultas e reprimidas”, explica.

O profissional ressalta que a prática favorece a expressão dos sentimentos, o diálogo e o fortalecimento dos vínculos entre usuários e profissionais da unidade.

Participação fortalece a convivência

A residente de psicologia Clara Neves acompanha as atividades e destaca o envolvimento dos participantes na criação das cenas. Segundo ela, o processo estimula a autonomia e ajuda os usuários a compreender melhor as próprias vivências e a relação com outras pessoas.

“É um lugar para dar vazão para o que você vive no mundo real. E você traz tudo isso pra cá (Caps), mas só que de um jeito mais elaborado. Ou seja, você já vivenciou aquilo, elabora, constrói e compreende de uma melhor forma aqui, com o teatro”, afirma.

Um dos usuários, que prefere preservar a identidade, também destaca a importância da iniciativa para a expressão pessoal e a compreensão da sociedade.

“É muito importante essa ação para que possamos nos expressar, pois o teatro pode ser basicamente o espelho da vida e da sociedade”, relata.

Rede municipal oferece atividades terapêuticas

A Secretaria de Saúde de Santos, por meio do Departamento de Saúde Mental, administra os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da rede municipal. As unidades oferecem diferentes atividades artísticas e terapêuticas que complementam o acompanhamento dos usuários e ampliam as possibilidades de cuidado para além do tratamento medicamentoso.

Redação Fatos Fontes

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