Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Os sócios do Santos votarão, em 8 de novembro, mudanças no estatuto do clube que podem abrir caminho para a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A principal proposta permite a venda de até 80% das ações do futebol santista a investidores.

Atualmente, o estatuto autoriza a criação de uma SAF, mas limita a participação de investidores a 49%. Com a alteração, o clube poderá negociar uma fatia majoritária do departamento de futebol.

A mudança é fundamental para o avanço das conversas com a SDC Sports, grupo norte-americano que pretende investir R$ 2 bilhões no projeto.

SDC Sports prevê investimento de R$ 2 bilhões

A proposta apresentada pela SDC Sports prevê o aporte de R$ 1 bilhão no departamento de futebol e outros R$ 1 bilhão para o pagamento de dívidas. Em contrapartida, os investidores querem adquirir 80% das ações da SAF.

Em agosto, o Santos assinou um termo de condições com o grupo. Desde então, a negociação depende do cumprimento de uma série de exigências, entre elas a mudança no estatuto.

Além disso, o clube e os investidores realizaram, entre março e agosto, um processo de due diligence. Nessa etapa, as partes analisam documentos, dados financeiros e possíveis riscos antes de avançar com o negócio.

A aprovação da reforma estatutária permitirá que as conversas avancem para uma nova fase. No entanto, ainda será necessário formalizar uma oferta vinculante, que corresponde à proposta definitiva dos investidores.

Aprovação do estatuto não garante venda da SAF

Mesmo que os sócios aprovem a mudança em novembro, a venda de parte do futebol não será automática.

A proposta da SDC Sports ainda precisará passar pelas instâncias responsáveis do clube, incluindo o Conselho Deliberativo e os associados. Portanto, a votação representa uma etapa importante, mas não confirma a conclusão do negócio.

Até lá, o Santos precisará cumprir os procedimentos necessários para definir os termos da possível transformação do futebol em SAF.

Reforma também prevê mudanças na gestão do clube

A possibilidade de vender até 80% da SAF não é a única alteração prevista na reforma estatutária. O Conselho Deliberativo discutiu diferentes propostas ao longo de reuniões realizadas entre 18 de maio e 28 de setembro.

Durante esse período, algumas sessões foram marcadas por protestos de torcedores, principalmente nos debates sobre as regras para disputar a presidência do clube.

Atualmente, o candidato precisa ter pelo menos dez anos de associação ao Santos. Entre as propostas discutidas, esteve a exigência de dois mandatos no Conselho Deliberativo para concorrer ao cargo.

Outra mudança aprovada pelo Conselho e que será submetida aos sócios prevê o fim do Comitê de Gestão, órgão que possui atribuições administrativas previstas no estatuto.

Embora o presidente Marcelo Teixeira tenha concentrado decisões durante sua gestão, o colegiado ainda faz parte da estrutura administrativa do clube.

Eleição presidencial será em dezembro

Após a votação das mudanças estatutárias, os sócios do Santos voltarão às urnas em dezembro para eleger o presidente responsável por comandar o clube pelos três anos seguintes.

Dessa forma, os próximos meses serão decisivos para o futuro do Peixe. Além de definir possíveis mudanças na administração, os associados terão papel importante nos rumos das negociações que podem alterar a estrutura financeira e de gestão do futebol santista.

Felipy Brandão

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