A Polícia Federal (PF) acionou, nesta terça-feira (27), as autoridades argentinas para investigar uma possível fuga de Flávio Bolsonaro rumo aos Estados Unidos. Fontes da PF confirmaram a informação à reportagem.
Segundo o jornal argentino Infobae, o senador teria cruzado a fronteira entre Brasil e Argentina usando um documento de identidade. Em seguida, ele seguiria de Puerto Iguazú, na Argentina, para os Estados Unidos em um voo privado.
Polícia argentina não confirma entrada do senador
De acordo com uma fonte da PF consultada pela reportagem, a corporação acionou a polícia argentina logo no início da manhã. No entanto, até o momento, as autoridades argentinas não forneceram informações precisas sobre a possível entrada de Flávio no país. “Não confirmam, nem negam”, afirmou a fonte.
Na segunda-feira (26), a PF intimou Flávio a entregar seus passaportes. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador não deixe o Brasil.
O delegado Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (DICOR) da PF, confirmou a informação ao R7.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio relatou que agentes da PF o abordaram na manhã de segunda-feira, quando ele saía da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Jair cumpre prisão domiciliar.
A decisão de Moraes integra uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz.
Diante da determinação judicial, Flávio afirmou que entregará os passaportes e que pretende se defender. Ele classificou a medida como uma “aberração” e uma “clara tentativa de me intimidar”.
Eduardo Bolsonaro sugeriu saída do país
Anteriormente, Eduardo Bolsonaro chegou a sugerir que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial. Na ocasião, porém, Flávio afirmou que não havia considerado essa possibilidade.
Flávio contesta resultado das eleições
Além de enfrentar a investigação, Flávio criticou o resultado eleitoral. Assim como fez na noite de domingo, após a divulgação dos resultados, o senador anunciou que pretende pedir a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno.
Flávio acusou o adversário de abuso de poder político e econômico e de disseminar notícias falsas durante a campanha. Entretanto, ele não apresentou provas dessas alegações no vídeo.
O senador também questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou a votação até as 19h em determinadas localidades. Segundo Flávio, a medida impediu que ele soubesse quais consequências a extensão do horário teria sobre o resultado eleitoral.
Por outro lado, dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que apenas 34 mil eleitores votaram após o horário habitual de encerramento das urnas. Além disso, Flávio perdeu a disputa por uma diferença superior a 4 milhões de votos.
Por fim, a própria campanha do senador havia solicitado ao TSE a prorrogação da votação algumas horas antes. A petição, protocolada às 15h27 de domingo, pedia mais duas horas de votação, até as 19h, em 17 cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, devido às chuvas.

