O registro de marca vai além de uma formalidade jurídica, sendo um ativo estratégico crucial para a valorização de uma empresa.
O advogado especialista em registro de marca, César Capitani comunica sobre como o registro protege a identidade da marca e fortalece a confiança de investidores e consumidores. Assim como, abre portas para novas oportunidades de crescimento.
Ativo estratégico
Desse modo, o advogado comenta o motivo pelo qual o registro de marca é considerado um ativo estratégico para a valorização de uma empresa, e não apenas uma formalidade jurídica.
“Assim que a marca é registrada, ela se torna um ativo intangível que diferencia a empresa no mercado, reforça sua credibilidade e facilita a construção de um relacionamento com clientes e parceiros.
Por exemplo, o reconhecimento da marca reduz os custos de aquisição de novos clientes, já que consumidores fiéis tendem a repetir compras e recomendar a marca para outros, gerando um fluxo de receita consistente outro exemplo é a possibilidade de monetizar através de outras empresas.
Por exemplo, uma empresa de moda com uma marca registrada pode licenciar o uso de sua marca para outras empresas fabricarem novos produtos (como perfumes ou acessórios), recebendo royalties. Esse tipo de modelo aumenta o valuation ao diversificar as receitas”.
Influência
Sobre de que forma o registro de marca influencia na percepção de valor por parte de investidores e clientes, Capitani aborda que o registro de marca demonstra que a empresa está preocupada em proteger seus ativos intangíveis. Portanto, o que é um diferencial para investidores que priorizam negócios bem estruturados.
Para um investidor, por exemplo, que analisa duas startups do mesmo setor pode optar por investir na que possui a marca registrada, pois isso reduz o risco de disputas judiciais e garante exclusividade no mercado. Além de saber que a empresa pode crescer sem enfrentar problemas de plágio.
Já para o consumidor que vê o símbolo ® (de marca registrada), geralmente associa a empresa a profissionalismo e qualidade.
Assim, ao comparar dois produtos parecidos, ele tende a escolher aquele com a marca registrada, pois isso transmite confiança. Isso ajuda a conquistar clientes fiéis e aumentar as vendas.
Valuation
O advogado confirma que é possível mensurar financeiramente o impacto que uma marca registrada tem no valuation de um negócio. “Marcas registradas são consideradas ativos intangíveis que contribuem significativamente para o valuation de uma empresa.
Embora o cálculo específico varie, fatores como reconhecimento de marca, fidelidade de clientes e exclusividade no mercado podem ser quantificados e incorporados à avaliação financeira do negócio. Inclusive, marcas como Apple, Google e Microsoft frequentemente valem muito mais do que a sua própria estrutura física”.
Riscos
Sobre os principais riscos — financeiros e reputacionais — de operar no mercado sem ter a marca registrada, Capitani menciona que os riscos ocorrem tanto na parte financeira, de mercado, e também de reputação. Sem registro, sua marca pode ser copiada ou até registrada por terceiros, obrigando a empresa a gastar com disputas judiciais ou mesmo a abandonar a marca.
Além disso, a falta de exclusividade pode levar à associação da sua marca com produtos ou serviços de baixa qualidade, prejudicando a imagem da empresa, levando concorrentes a explorar a marca, confundindo clientes e enfraquecendo o posicionamento da empresa.
Crescimento empresarial
Além disso, ele também cita que o registro de marca é indispensável desde o início das operações da empresa, ou seja, no momento em que ela começa a usar um nome ou logotipo para se identificar no mercado. Quanto mais a empresa cresce, maior o risco de sua marca ser copiada ou usada por terceiros. Dessa maneira, o que torna o registro essencial para proteger seus investimentos em marketing e branding.
Novas oportunidades
Desse modo, á respeito de como o registro pode abrir novas oportunidades de negócio, como franquias, licenciamento ou parcerias comerciais, ele informa que somente com o registro de marca é possível expandir por meio de franquias ou licenciamento.
“Com a marca protegida, o dono pode autorizar que terceiros abram novas unidades ou desenvolvam produtos vinculados ao nome da empresa. Nesses modelos, há uma taxa inicial paga pelo franqueado ou licenciado (valor único). Além de pagamento de royalties (pagos mensalmente), garantindo uma receita contínua para o proprietário da marca. É uma maneira estratégica de crescer, com o capital dos franqueados ou licenciados, mas sempre mantendo o controle e a qualidade do negócio”.
Casos
Aliás, Capitani comenta que há muitos casos em que empresas perderam o direito de usar sua marca porque alguém registrou o nome ou logotipo antes.
“Isso pode levar à perda de clientes, custos elevados para rebranding e, em casos extremos, até o encerramento das atividades. Pequenos negócios e startups são especialmente vulneráveis a esse tipo de problema, mas também não raramente costuma ocorrer com grandes marcas: Um exemplo disso foi a Apple, que enfrentou uma disputa judicial no Brasil com a Gradiente devido ao registro prévio da marca “iPhone” pela empresa brasileira”.
Cenário atual
Com o aumento de negócios digitais e de influenciadores que viram marca, é importante pensar sobre como o registro se tornou ainda mais importante. Além disso, como o cenário atual mudou essa percepção.
Ele cita que hoje, qualquer pessoa pode criar uma marca e ganhar visibilidade muito rápido nas redes sociais, e é justamente aí que mora o risco. Quanto maior o alcance, maior a chance de alguém copiar o nome, o logotipo ou até o estilo da marca.
“Influenciadores e empresas digitais vivem da sua identidade, é ela que atrai seguidores, parcerias e vendas. Mas, se essa marca não estiver registrada, basta outra pessoa fazer o registro antes para o verdadeiro criador perder o direito de usá-la.
Por conta das redes sociais, tem sido comum ver influenciadores tendo que mudar de nome ou até recomeçar do zero por falta de proteção legal. Por isso, cada vez mais pessoas estão entendendo que registrar a marca não é burocracia. É um investimento na própria segurança e no futuro do negócio.”

