Nos últimos anos, os leilões de imóveis deixaram de ser exclusividade de investidores experientes e passaram a atrair iniciantes em busca de oportunidades de compra com valores abaixo do mercado. Com descontos que podem ultrapassar 50% e a facilidade de lances online, o cenário parece promissor — no entanto, esconde riscos que podem comprometer o bolso e a tranquilidade de quem não se prepara adequadamente.
“O leilão é seguro, mas não é simples. Um erro na análise do edital, das dívidas ou do processo pode transformar um bom negócio em prejuízo”, alerta o advogado Carlos Campi, especialista em Direito Imobiliário com foco em leilões e regularização de imóveis.
Erros que custam caro
De acordo com Campi, iniciantes costumam cometer falhas que impactam diretamente o resultado da compra. Entre os erros mais comuns estão:
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não contar com apoio jurídico especializado;
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ignorar a leitura técnica do edital;
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não verificar a situação legal do imóvel;
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calcular incorretamente os custos totais da aquisição;
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confiar apenas em vídeos e dicas genéricas da internet;
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agir por impulso durante o leilão;
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deixar de analisar o processo judicial ou extrajudicial envolvendo o bem.
Para ilustrar os riscos, o advogado relata um caso real:
“Um cliente arrematou um imóvel e, depois da compra, recebeu uma cobrança de R$ 70 mil em taxas condominiais. Estava tudo no edital, mas ele não consultou um advogado antes.”
Dívidas e ocupações: os riscos invisíveis
Dois fatores costumam surpreender quem entra nesse mercado sem orientação:
1. Dívidas ocultas
Nem todas as pendências são automaticamente extintas após a arrematação. IPTU, cotas condominiais e até processos judiciais podem recair sobre o comprador, dependendo do tipo de leilão e das regras previstas no edital.
2. Imóveis ocupados
Boa parte dos imóveis é vendida ainda com ocupantes. A desocupação pode exigir ação judicial, além de tempo e custos adicionais.
“A retirada dos ocupantes pode levar meses e gerar desgaste emocional. Por isso, é fundamental avaliar quem mora no imóvel e buscar apoio profissional desde o início”, explica Campi.
Leilão judicial ou extrajudicial: qual é mais seguro?
A segurança da compra varia conforme a modalidade:
Leilão judicial
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ocorre sob supervisão do Judiciário;
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dívidas costumam ser sub-rogadas no valor da arrematação;
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a desocupação acontece dentro do próprio processo.
Leilão extrajudicial
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tem como base contratos de alienação fiduciária;
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algumas dívidas podem permanecer vinculadas ao imóvel;
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a desocupação pode exigir ação judicial separada.
“O edital não esconde nada, mas é técnico. O problema é que muitos compradores não sabem interpretá-lo corretamente”, reforça o advogado.
Como investir com segurança
Para quem deseja entrar nesse mercado com mais tranquilidade, três medidas são essenciais:
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buscar informação de qualidade sobre leilões e legislação;
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aprender a interpretar editais e documentos técnicos;
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contar com assessoria jurídica especializada.
O acompanhamento profissional deve estar presente desde o início:
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antes do lance: análise de riscos;
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durante o leilão: orientação estratégica;
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depois da compra: regularização da posse e desocupação legal.
“Com preparo e orientação, mesmo quem nunca comprou pode fazer boas aquisições em leilões”, conclui Campi.

