Prestar o Exame da Ordem pela primeira vez ou após um período afastado dos estudos ainda gera muitas dúvidas. Nesse contexto, a sensação de estar perdido é comum entre estudantes e recém-formados. Para a advogada civilista Isabel Capelas, no entanto, o primeiro passo deve ser estratégico, e não emocional.
“Antes de tudo, o candidato precisa entender onde estão suas maiores dificuldades. Por isso, resolver provas anteriores é essencial para identificar os pontos mais vulneráveis e direcionar os estudos”, explica.
Segundo Isabel, ao analisar exames passados, o estudante consegue compreender quais matérias exigem mais atenção e quais temas são mais recorrentes. A partir dessa análise, torna-se possível escolher o formato de estudo mais adequado.
“Assim, pode ser por videoaulas avulsas, PDFs ou até pela leitura do próprio material. O importante é estudar de forma direcionada”, orienta.
Já para quem se formou há mais tempo e está afastado da rotina acadêmica, o cuidado precisa ser ainda maior. Nesse caso, a atualização legislativa e jurisprudencial torna-se determinante para a aprovação.
“Nessas situações, além de resolver provas anteriores, é fundamental buscar cursos focados no Exame da OAB. Afinal, as leis mudam, a jurisprudência evolui, e isso impacta diretamente no resultado”, alerta.
Muitas matérias ou poucas disciplinas?
Não existe fórmula pronta quando o assunto é aprovação. Cada candidato tem uma realidade diferente.
“Tudo depende do tempo disponível, do nível de preparação e do momento em que o candidato começou a estudar”, afirma Isabel.
Ela conta que, na época em que prestou o exame, só conseguiu estudar após a publicação do edital. A solução foi montar um cronograma realista.
“Distribuí todas as matérias, mas dei mais ênfase àquelas com maior número de questões e aos pontos em que eu tinha pior desempenho nos simulados”, relembra.
Plano de estudos precisa caber na rotina
Dessa forma, conciliar trabalho, cansaço e estudos é um dos maiores desafios de quem se prepara para a OAB. Para a advogada, o plano eficiente é aquele que respeita a realidade do candidato.
“O cronograma precisa ser possível. Eu usei basicamente provas anteriores, simulados dos cursinhos e livros de resumos jurídicos. Eram os recursos que eu tinha e funcionaram”, explica.
Resolver questões faz diferença?
Portanto, a resposta é direta. Faz, e muita.
“O candidato não precisa estudar todo o edital. Isso é inviável depois que o edital é publicado. O foco deve estar no que mais cai”, destaca.
Além disso, os simulados ajudam o candidato a entender o estilo da banca examinadora.
“Resolver questões anteriores permite conhecer o padrão das perguntas e se familiarizar com a forma como os conteúdos são cobrados”, completa.
Erros que podem comprometer a aprovação
Para Isabel Capelas, o aspecto emocional é tão importante quanto o conteúdo.
“Muitos candidatos não são reprovados por falta de conhecimento, mas por ansiedade ou por um branco na hora da prova”, observa.
Ela recomenda que o candidato cuide também da preparação emocional. Em alguns casos, o apoio de profissionais como psicólogos pode ser decisivo.
Outro erro comum é seguir cronogramas irreais.
“O cronograma do cursinho pode ser ótimo, mas não necessariamente vai funcionar para todo mundo. Mais vale duas horas de estudo focado do que um plano perfeito que nunca sai do papel”, conclui.

