Foto: Felipy Brandão

A segunda noite do Carnaval de Santos 2026 reuniu fé, identidade cultural e emoção na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz. Entre a noite de sábado (7) e a madrugada de domingo (8), oito escolas dos Grupos de Acesso e Especial levaram à avenida desfiles marcados por narrativas populares, ancestralidade e forte participação das comunidades.

Pelo Grupo de Acesso, desfilaram Brasil, Imperatriz Alvinegra, Dragões do Castelo e Unidos da Zona Noroeste. No Grupo Especial, Padre Paulo, Mocidade Amazonense, X-9 e Unidos dos Morros encerraram a programação. No dia anterior, outras sete agremiações abriram os desfiles oficiais do Carnaval santista.

Durante os dois dias, 15 escolas mostraram empenho, organização e entrega. Componentes defenderam seus pavilhões com entusiasmo, enquanto equipes de apoio garantiram o ritmo e a fluidez das apresentações.

A apuração acontece na próxima terça-feira (10), a partir das 12h, no Teatro Municipal Braz Cubas. Os jurados avaliam quesitos como bateria, harmonia, enredo, samba-enredo, fantasias, alegorias, adereços e comissão de frente.

Imperatriz Alvinegra exalta as festas juninas e a fé nordestina

Com o enredo “No Puro Sangue do Maior São João”, a Imperatriz Alvinegra abriu o desfile celebrando a cultura nordestina. Mesmo sob chuva, a escola transformou o arraial em espetáculo carnavalesco ao unir religiosidade, música e tradição popular. A comissão de frente trouxe a literatura de cordel, enquanto alegorias destacaram santos juninos e elementos típicos como milho, curau, quentão e quadrilhas.

Dragões do Castelo leva misticismo e axé para a avenida

A Dragões do Castelo apostou na força das crenças populares com o enredo “Não adianta mandinga, muito menos olho gordo…”. Patuás, banhos de ervas e figuras ancestrais como Exu, Xangô e preto-velho marcaram o desfile, embalado por canto forte da comunidade. A escola entrou na avenida às 21h14 com cerca de 800 componentes e deixou clara a meta de chegar ao Grupo Especial.

Zona Noroeste transforma a avenida em espaço de resistência

A Unidos da Zona Noroeste apresentou um desfile político e histórico, com foco na resistência negra e na crítica à falsa abolição. Setores como Liberdade de Mentira e Memória Venceu destacaram personagens históricos, espiritualidade e luta por dignidade. O samba reforçou a escola de samba como espaço de organização cultural e afirmação identitária.

Sangue Jovem emociona com homenagem ao Santos Futebol Clube

A Sangue Jovem apostou na emoção ao reeditar o enredo campeão “Santos Futebol Clube – O Maior Espetáculo da Terra”. Vestida de branco, preto e dourado, a escola transformou a passarela em estádio e exaltou ídolos eternos, com destaque para Pelé. O desfile reforçou o orgulho santista e a conexão entre futebol, memória e carnaval.

Padre Paulo celebra transformação social e esperança

Com “Guerreiro Menino e a Jornada ao Eldorado Social”, a Padre Paulo homenageou Alex Tadeu Alves Rosa e destacou o papel do esporte e da cultura na inclusão social. Com cerca de 1.200 componentes, a escola levou à avenida uma mensagem de resistência, ancestralidade e futuro, sob o lema de que “todo menino é rei”.

Mocidade Amazonense aposta no encanto e na magia

A Mocidade Amazonense apresentou “Enawenê Amazonawê – O Feitiço Amazonense Tem Poder”, conduzindo o público por mitos, rituais e fantasia. Curandeiros, patuás, magia cigana e personagens do imaginário infantil culminaram em um grande baile popular, onde o carnaval surgiu como o maior encantamento coletivo.

X-9 defende os oceanos e a sustentabilidade

Atual campeã, a X-9 levou à avenida o enredo “Eu vim aqui para te mostrar que o mar está em todo lugar!”. A escola apresentou o oceano como fonte de vida e memória, com alegorias que abordaram biodiversidade, reciclagem e consciência ambiental. Mesmo sob chuva, a comunidade manteve a energia e reforçou o alerta pela preservação dos mares.

Unidos dos Morros fecha a noite com sátira e brasilidade

A Unidos dos Morros encerrou os desfiles com “O Bicho Nosso de Cada Dia – Um Jeitinho Brasileiro de Sonhar”. Com humor e crítica social, a escola contou a história do jogo do bicho como fenômeno cultural resistente. Fé, contravenção e cotidiano se misturaram em um desfile irreverente que celebrou o imaginário popular.

Público completa o espetáculo

A emoção também veio das arquibancadas. A aposentada Maria Mendonça, 69, resumiu o sentimento: “A X-9 está no meu coração desde sempre”. Para Gabriela Aparecida, 42, o carnaval representa felicidade e família, tradição que atravessa gerações.

Segurança e serviços

A Guarda Civil Municipal atuou com 110 agentes por noite em apoio à Polícia Militar. A Secretaria de Saúde mobilizou equipes médicas, ambulâncias e motolâncias. A Passarela contou ainda com sala de acolhimento para mulheres e limpeza contínua após cada desfile.

Felipy Brandão

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