Aos 44 anos, Anderson Gomes encontrou na amizade um caminho para transformar a própria rotina. Ao mesmo tempo, a relação com Leandro Alves, de 33, traduz o tema do Dia Mundial da Síndrome de Down de 2026: “Amizade, Acolhimento, Inclusão… Xô Solidão!”. Juntos, eles compartilham treinos, afeto e uma convivência que fortalece vínculos todos os dias.
Tudo começou em 2006, durante aulas de natação. Naquele momento, Anderson, que tem Síndrome de Down, conheceu Leandro, chamado de Kaká, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Desde então, o que muitos enxergavam como diferença se transformou em conexão. Hoje, a dupla carrega apelidos carinhosos, mas Anderson define com clareza: “ele é meu melhor amigo”.
Além disso, a comunicação entre os dois ultrapassa palavras. Abraços, gestos e ligações rápidas expressam um vínculo direto e sincero. Principalmente nas atividades da Vila Criativa da Penha, a amizade ganha ainda mais força, com encontros frequentes ao longo da semana.
Nesse contexto, o professor de musculação Kaio Prestjord destaca o impacto da convivência. Segundo ele, Anderson apresenta um perfil mais introspectivo, porém responde ao ambiente acolhedor. Assim, a presença dele melhora o clima da turma, enquanto a parceria com Leandro inspira colegas e professores.
Da mesma forma, nas aulas de ritmix, a professora Danny Martins observa a energia da dupla. Na linha de frente, eles animam os encontros e envolvem toda a turma. Inclusive, já participaram de apresentações no Teatro Municipal, onde demonstraram entusiasmo e integração.
Pertencimento na prática
Por outro lado, o tema deste ano amplia o debate sobre solidão. Mais do que estar sozinho, a solidão aparece quando falta pertencimento. Nesse sentido, Anderson encontra apoio nas atividades e nas relações construídas com colegas que demonstram cuidado e atenção constante.
A mãe, Valnice Gomes, acompanha cada etapa dessa trajetória. Com isso, ela ressalta a importância de espaços que promovem inclusão real. Para ela, o ambiente acolhedor incentiva participação, fortalece a autoestima e amplia as possibilidades do filho.
Além disso, colegas como Maria Celina Martins reforçam esse sentimento coletivo. Na convivência diária, surgem laços, trocas e momentos de celebração. Assim, cada aula se transforma em um espaço de alegria compartilhada.
Inclusão como política contínua
Ao mesmo tempo, Santos amplia ações para fortalecer a inclusão. No dia 28 de março, a Cidade promove a Parada “Juntos contra a Solidão”, na Praça das Bandeiras, com atividades culturais e educativas.
Além do evento, o Município mantém iniciativas permanentes. A rede de ensino integra estudantes com deficiência às salas regulares, enquanto programas de empregabilidade ampliam oportunidades profissionais. Paralelamente, projetos culturais e esportivos incentivam autonomia, expressão e convivência.
Entre as ações, destacam-se atividades como surfe adaptado, projetos culturais multidisciplinares, eventos inclusivos e espaços comunitários voltados à socialização.
Informação e conscientização
Por fim, a Síndrome de Down resulta de uma alteração genética chamada trissomia do cromossomo 21. Pessoas com a condição possuem 47 cromossomos em vez dos 46 habituais. Por esse motivo, o dia 21 de março simboliza a data internacional de conscientização.
Dessa forma, histórias como a de Anderson e Leandro mostram que inclusão não depende apenas de discurso. Na prática, ela nasce da convivência, cresce com o acolhimento e se fortalece na amizade.

