Os Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado ficou 86% acima das perdas de R$ 1,7 bilhão registradas no mesmo período de 2025.
Além disso, a estatal enfrentou queda nas receitas e aumento das despesas relacionadas a processos trabalhistas e encargos financeiros. Como consequência, a situação financeira da empresa se deteriorou ainda mais.
De acordo com o balanço, a receita bruta de vendas e serviços alcançou R$ 4,04 bilhões entre janeiro e março. No entanto, o valor ficou 2,2% abaixo dos R$ 4,13 bilhões registrados um ano antes.
Ao mesmo tempo, os segmentos de encomendas, mensagens e postagens internacionais apresentaram recuo. Juntos, esses serviços representam quase 90% do faturamento da companhia. Em contrapartida, a categoria de outras receitas cresceu 48% e alcançou R$ 465 milhões.
Por outro lado, os Correios reduziram parte dos custos operacionais. Os gastos com produtos vendidos e serviços prestados caíram 7,6%, passando de R$ 4,01 bilhões para R$ 3,7 bilhões.
Da mesma forma, a empresa diminuiu as despesas com pessoal. Os gastos com a folha salarial recuaram de R$ 2,8 bilhões para R$ 2,7 bilhões. Segundo a companhia, o Programa de Demissão Voluntária contribuiu para esse resultado.
Entretanto, as despesas gerais e administrativas avançaram de forma significativa. A estatal adicionou R$ 1,06 bilhão em provisões para ações trabalhistas após revisar a classificação dos processos judiciais.
Com isso, o total reservado para disputas na Justiça aumentou de R$ 3,6 bilhões no fim de 2025 para R$ 4,66 bilhões em março de 2026.
Além das questões judiciais, os Correios enfrentaram forte crescimento nas despesas financeiras. A conta saltou de R$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 985 milhões no mesmo período deste ano.
Enquanto tenta recuperar o equilíbrio das contas, a empresa segue com um plano de reestruturação. Desde setembro de 2025, o presidente Emmanoel Rondon lidera as mudanças na estatal.
No ano passado, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União para regularizar passivos e financiar a reestruturação.
Por fim, o novo resultado amplia a pressão sobre a administração da companhia. Em 2025, os Correios acumularam prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o pior desempenho da história da empresa.

