O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (19) uma medida provisória que exige aprovação no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) para médicos obterem registro profissional no Brasil.
Com a decisão, estudantes de medicina precisarão comprovar proficiência ao concluir a graduação para ingressar no Conselho Federal de Medicina (CFM) e exercer a profissão.
Além disso, o governo fortalece o papel do Enamed e reduz o espaço para a proposta do CFM que prevê uma prova própria de habilitação para recém-formados.
O que muda
A nova regra estabelece duas aplicações do Enamed durante a graduação.
Primeiramente, os estudantes realizarão uma avaliação no quarto ano do curso. Depois, farão uma segunda prova ao final da formação.
Nesse caso, o resultado da última avaliação definirá a proficiência necessária para solicitar o registro profissional.
Atualmente, médicos precisam apenas concluir a graduação e obter inscrição no CFM para iniciar a carreira.
Regra vale para novos alunos
No entanto, a exigência não terá efeito retroativo.
O governo aplicará a nova regra apenas aos estudantes que ingressarem em cursos de medicina após a publicação da medida provisória.
Por outro lado, alunos que já cursam medicina não precisarão cumprir a nova etapa para obter registro profissional.
Além disso, candidatos que não alcançarem a nota mínima poderão refazer o exame em futuras edições.
Mudanças no Revalida
Ao mesmo tempo, o governo substituiu a prova teórica do Revalida pelo Enamed.
Dessa forma, médicos formados no Brasil e no exterior passarão pela mesma avaliação de conhecimentos.
Contudo, a etapa prática do Revalida permanece sem alterações.
Além disso, profissionais que já revalidaram seus diplomas antes da medida provisória não precisarão realizar o Enamed.
Fiscalização dos cursos
O Ministério da Educação também utilizará os resultados para monitorar a qualidade dos cursos de medicina.
Segundo as regras atuais, o Inep definirá os níveis de proficiência com base em critérios estatísticos.
Posteriormente, o MEC poderá aplicar sanções a instituições com desempenho considerado insuficiente.
Entre as medidas previstas estão a suspensão de novas vagas, restrições ao acesso ao Fies e ao Prouni e, em situações extremas, o encerramento das atividades do curso.
Atualmente, a escala do Enamed varia de 1 a 5.
Cursos com menos de 60% dos estudantes dentro do nível considerado adequado recebem as notas mais baixas da avaliação.
Resultados pressionaram mudanças
Os resultados da primeira edição do Enamed impulsionaram o debate sobre a criação de um exame nacional de proficiência médica.
Na ocasião, 67% dos 39.258 concluintes avaliados alcançaram desempenho considerado satisfatório.
Além disso, 99 cursos de medicina ficaram abaixo dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação e passaram a receber acompanhamento do governo.
Por esse motivo, autoridades passaram a discutir mecanismos mais rígidos para avaliar a formação dos futuros médicos.
Congresso ainda analisará a medida
Como a iniciativa entrou em vigor por meio de medida provisória, o Congresso Nacional precisará analisar o texto.
Para manter a validade das novas regras, deputados e senadores deverão aprovar a proposta em até 120 dias.
Enquanto isso, o Enamed seguirá como instrumento de avaliação dos cursos e também como opção para processos seletivos de residência médica.
Inscrições abertas
As inscrições para a edição de 2026 permanecem abertas até 29 de junho.
O Inep aplicará a prova em 13 de setembro.
O exame contará com 100 questões de múltipla escolha sobre áreas como clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia, medicina da família, saúde mental e saúde coletiva.
Além da prova objetiva, os participantes responderão questionários acadêmicos exigidos pelo sistema de avaliação federal.

