Foto: Divulgação/Santos FC

Um grupo de 37 conselheiros do Santos criticou a negociação para transformar o clube em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Em nota divulgada nesta segunda-feira (10), os integrantes do grupo questionaram o momento escolhido pela gestão Marcelo Teixeira para apresentar o projeto.

A SDC Sports, empresa norte-americana interessada no negócio, apresentará a proposta ao Conselho Deliberativo e ao Comitê de Gestão no dia 31 de agosto. A reunião ocorrerá apenas quatro meses antes do fim do mandato do atual presidente.

Diante desse cenário, os conselheiros afirmaram que uma decisão capaz de mudar o futuro do Santos exige um debate amplo com associados e torcedores.

Conselheiros questionam momento da negociação

Inicialmente, o grupo destacou o período escolhido pela atual gestão para discutir a venda da SAF. Segundo os conselheiros, o Santos não deveria tomar uma decisão dessa dimensão tão próximo do fim do mandato.

Além disso, os integrantes criticaram a situação financeira do clube. Na avaliação do grupo, a atual administração aumentou o endividamento do Santos e levou o passivo a mais de R$ 1 bilhão.

Por isso, os conselheiros afirmaram que a SAF não pode funcionar como uma solução emergencial para problemas financeiros nem como instrumento eleitoral.

“Decisões que podem determinar o futuro do clube não podem ser tratadas como instrumento eleitoral ou como resposta emergencial para problemas financeiros criados pela própria gestão”, afirmaram.

SDC Sports apresentará proposta no dia 31

Enquanto os conselheiros manifestam oposição, a SDC Sports segue com o processo de negociação com o Santos.

A empresa apresentará o projeto ao Conselho Deliberativo e ao Comitê de Gestão durante uma reunião extraordinária marcada para 31 de agosto.

Na semana passada, o Santos anunciou a assinatura de um sumário de termos com as condições para uma eventual venda da SAF à empresa norte-americana.

No entanto, o documento ainda não cria uma obrigação definitiva entre as partes. O negócio depende de novas aprovações dentro do clube antes de avançar para uma proposta vinculante.

Negociação envolve R$ 2 bilhões

Além disso, Santos e SDC Sports realizaram uma due diligence nos últimos cinco meses. O procedimento permitiu que os dois lados analisassem documentos, situação financeira e capacidade de investimento.

Ao final da análise, ambas as partes consideraram o resultado positivo.

Em fevereiro, a SDC Sports apresentou uma proposta que previa R$ 1 bilhão em investimentos no futebol e outros R$ 1 bilhão para o pagamento de dívidas.

Em contrapartida, a empresa pretende adquirir 80% do controle da SAF do Santos.

Clube ainda precisa cumprir etapas

Antes de aceitar uma eventual proposta definitiva, porém, o Santos ainda precisa cumprir algumas etapas.

Primeiramente, o clube precisa concluir a reforma do estatuto para permitir a venda majoritária das ações. Depois disso, os associados precisarão votar as mudanças em Assembleia Geral.

Assim, a negociação ainda depende de decisões internas antes de chegar a uma conclusão.

Grupo diz que pode apoiar uma SAF

Apesar da oposição à negociação conduzida pela atual gestão, os conselheiros afirmaram que não rejeitam necessariamente o modelo de SAF.

Segundo o grupo, uma proposta poderá receber apoio caso respeite a história do Santos, atenda aos interesses do clube e ofereça benefícios aos associados.

Entretanto, os conselheiros rejeitam a ideia de concluir uma operação dessa magnitude nos últimos meses da atual administração.

Nesse sentido, o grupo afirmou que pretende comparecer à reunião do Conselho Deliberativo e votar contra a proposta apresentada pela gestão Marcelo Teixeira.

Conselheiros pedem participação da torcida

Por fim, os 37 conselheiros pediram a participação de associados e torcedores nas discussões sobre o futuro do Santos.

Na nota, o grupo reforçou que o clube deve colocar seus interesses acima de disputas eleitorais e projetos políticos internos.

Para os conselheiros, o Santos precisa discutir uma eventual transformação em SAF com tempo, transparência e participação dos seus associados.

“Porque o Santos é maior do que qualquer gestão, qualquer eleição ou qualquer projeto de poder.”

Felipy Brandão

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