O vendaval que atingiu Mongaguá no fim de julho, com ventos de até 90 km/h, derrubou 48 árvores em diferentes pontos do município. Desse total, 32 pertenciam à espécie Ficus benjamina, conhecida popularmente como ficus. O episódio reforçou a importância de escolher espécies adequadas para a arborização urbana.
Estudo aponta problemas do ficus
Além disso, um estudo publicado em 2021 na Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana analisou a relação entre o ficus e as condições do espaço urbano. A pesquisa avaliou 100 árvores adultas da espécie em Itanhaém e encontrou vestígios de poda em 70% delas.
Entre os problemas identificados, os pesquisadores encontraram novos brotos, lesões nos troncos, presença de cupins, galhos secos, rachaduras e raízes expostas.
Além disso, o levantamento mostrou uma diferença significativa entre os espaços ocupados pelas árvores. As árvores que receberam poda ficavam, em média, em calçadas com 2,87 metros de largura. Já as árvores sem sinais de poda ficavam em locais com largura média de 12,94 metros.
Espaço precisa orientar escolha
Diante dos dados, o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Alexandre Barril, destaca a necessidade de considerar o porte da árvore antes do plantio.
“O Ficus benjamina foi muito utilizado na arborização residencial no passado, principalmente por seu crescimento rápido e pela formação de uma copa ampla. Hoje, com o avanço dos estudos sobre arborização urbana, sabemos que a escolha da espécie precisa levar em conta as características e o espaço disponível para o seu desenvolvimento”, explica.
Segundo Barril, áreas com pouco espaço para as raízes ou próximas a calçadas, redes elétricas e outras estruturas precisam de espécies mais adequadas. Por isso, a secretaria orienta os moradores e incentiva o plantio de espécies nativas compatíveis com cada local.
Defesa Civil amplia mapeamento
Após o vendaval, a Defesa Civil de Mongaguá começou a mapear árvores que podem apresentar riscos. A equipe busca identificar pontos que exigem atenção e orientar os moradores sobre medidas preventivas.
Segundo a Prefeitura, os moradores cuidam das árvores localizadas nas calçadas em frente aos imóveis e em áreas particulares. Quando uma árvore apresenta risco, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente pode realizar uma intervenção após avaliação técnica.
Além disso, o gestor da Defesa Civil, Argeo Rodrigues, alerta para os riscos que árvores de grande porte podem causar em espaços pequenos.
“Uma árvore de grande porte em um espaço que não comporta seu desenvolvimento pode trazer riscos para além da própria estrutura. Em uma situação de ventos fortes, a queda pode atingir a rede elétrica e de telecomunicações, bloquear vias, danificar imóveis e veículos e até ferir pessoas”, afirma.
Município oferece mudas nativas
Por fim, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente oferece mudas de espécies nativas para novos plantios. Entre as opções estão ipê-amarelo, ingá, goiabeira, quaresmeira, pitangueira e araçá.
Os moradores também podem procurar a secretaria para receber orientação sobre a espécie mais adequada para cada espaço.
As solicitações podem ocorrer pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (13) 3448-4630.

