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Projeto desenvolvido há seis anos pelo Marista Escola Social Lar Feliz trabalha culturas africana e indígena por meio da literatura, culinária, brincadeiras e atividades educativas

Muito antes de aprender a ler e escrever, crianças da Educação Infantil já podem desenvolver valores como respeito, empatia e valorização da diversidade. Em Santos, o Marista Escola Social Lar Feliz mantém há seis anos o projeto “Não Somos Todos Iguais”, que leva a educação antirracista para a rotina de bebês e crianças.

A iniciativa integra o trabalho pedagógico da unidade, que faz parte do Marista Brasil e atende gratuitamente crianças em situação de vulnerabilidade social. A proposta valoriza as culturas africana e indígena por meio de livros, brincadeiras, culinária, música e outras experiências realizadas ao longo do ano.

Educação antirracista acontece durante todo o ano

Segundo a equipe pedagógica, o objetivo é evitar que o trabalho sobre diversidade fique restrito a datas comemorativas, como o mês da Consciência Negra. Por isso, o projeto envolve atividades permanentes e formação dos profissionais da escola.

Professores e funcionários participam de capacitações com estudiosos e pesquisadores. Também são realizadas oficinas práticas para ampliar o repertório dos educadores sobre canções, jogos e manifestações culturais de diferentes origens.

Com isso, os conteúdos passam a fazer parte do cotidiano das crianças de maneira natural e adequada a cada faixa etária.

Brincadeiras valorizam culturas africana e indígena

As brincadeiras têm papel importante no projeto “Não Somos Todos Iguais”. Durante a rotina escolar, os estudantes participam de jogos tradicionais e regionais, como a amarelinha africana, a brincadeira Terra e Mar, a corrida do tatu e Amigos de Jó.

As crianças também participam de oficinas para produzir petecas. Dessa forma, o brincar se transforma em uma ferramenta de aprendizagem sobre cultura, identidade e diversidade.

Mais de 600 livros abordam diversidade

A literatura também ocupa espaço central na proposta. A biblioteca da unidade conta com mais de 600 livros voltados às culturas africana e indígena, além dos títulos disponíveis nas salas de aula.

Entre as obras trabalhadas estão “Meu Pequeno Príncipe Preto”, “Meu Crespo é de Rainha”, “A Pele Que Eu Tenho” e “Chuva de Mangas”.

Para a coordenadora pedagógica da instituição, Cláudia Azevedo, o contato com diferentes personagens e histórias ajuda a ampliar o repertório das crianças desde os primeiros anos.

“A literatura e o brincar são as ferramentas mais potentes na infância. Quando trazemos centenas de títulos que trazem protagonistas negros e indígenas, e quando colocamos essas crianças para vivenciar jogos tradicionais na rotina, estamos expandindo o repertório delas com afeto e naturalidade, mostrando que a diversidade é uma riqueza”, afirma.

Culinária aproxima crianças das culturas

A alimentação é outro recurso utilizado pelo Marista Escola Social Lar Feliz. As atividades são realizadas em parceria com o projeto “Em Torno da Mesma Mesa”, que incentiva hábitos alimentares saudáveis.

Depois de conhecerem a “Lenda da Mandioca”, por exemplo, as crianças experimentaram a raiz cozida e participaram da produção de um bolo. Elas também conheceram outras raízes de origem indígena e plantaram batata-doce na horta da escola.

A culinária de matriz africana também está presente na rotina. A feijoada, por exemplo, é servida pelo menos uma vez por mês na unidade.

Bebês também participam das atividades

O projeto inclui os bebês nas experiências de educação antirracista. A partir da leitura do conto africano “Chuva de Mangas”, eles conheceram a manga de diferentes formas.

Os pequenos puderam tocar, sentir o cheiro e experimentar a fruta. Depois, acompanharam a produção de uma geleia.

Em outra atividade inspirada na literatura indígena, as crianças conheceram ervas como hortelã e camomila. Além da degustação, participaram do plantio das espécies e conheceram possibilidades de uso no preparo de chás.

Projeto aproxima escola e famílias em Santos

As ações também ultrapassam os limites da escola e envolvem as famílias. Um dos exemplos ocorreu durante a mostra cultural realizada em comemoração aos 65 anos da instituição.

Na ocasião, os próprios estudantes compartilharam com os familiares conhecimentos aprendidos durante as atividades. Uma das ações foi uma oficina em que as crianças ensinaram os pais a amarrar turbantes africanos.

Para a diretora do Marista Escola Social Lar Feliz, Edilene Ribeiro, trabalhar ancestralidade desde a primeira infância contribui para desenvolver empatia e consciência social.

“Entendemos que a escola faz parte de uma construção social viva. Nosso sonho é que, no futuro, as novas gerações não abram os jornais e as redes sociais e vejam tantas situações de racismo. Por isso, o compromisso com uma educação antirracista precisa ser diário, transformando não só as crianças, mas também suas famílias e a comunidade”, conclui.

Em Santos, a experiência mostra como a educação infantil pode contribuir para a construção de relações mais respeitosas. Ao integrar literatura, brincadeiras, alimentação e cultura à rotina, o projeto busca apresentar a diversidade às crianças desde os primeiros anos de vida.

Redação Fatos Fontes

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