O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o governo brasileiro pela atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A declaração aparece no documento anual enviado ao Congresso norte-americano em 15 de setembro, no qual Trump apresenta a avaliação dos Estados Unidos sobre o combate ao tráfico internacional de drogas no ano fiscal de 2027.
No documento, Trump afirma que muitos governos do Hemisfério Ocidental adotaram medidas para reduzir o fluxo de drogas e combater organizações criminosas. Em seguida, ele direciona críticas ao Brasil e diz que o governo brasileiro precisa enfrentar as duas facções.
Segundo o presidente norte-americano, PCC e Comando Vermelho transformaram o Brasil em um centro dos fluxos globais de cocaína. Trump também afirma que os dois grupos representam uma ameaça crescente à segurança internacional e defende ações mais agressivas contra as organizações.
Documento cita Brasil, mas não o inclui na lista principal
Apesar das críticas, o documento apresenta uma diferença importante. O Brasil não aparece entre os 23 países que os Estados Unidos classificaram como grandes países de trânsito ou produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027.
A relação inclui países como México, Colômbia, Venezuela, Peru, Equador, Bolívia, China e Afeganistão. O próprio governo norte-americano ressalta que a presença de um país nessa lista não significa, necessariamente, que seu governo tenha falhado no combate às drogas. Fatores geográficos, comerciais e econômicos também entram na classificação.
Além disso, o documento classificou apenas Afeganistão, Bolívia, Birmânia e Colômbia como países que, na avaliação norte-americana, falharam de forma demonstrável em cumprir compromissos internacionais de combate às drogas nos 12 meses anteriores.
EUA já classificaram PCC e CV como organizações terroristas
A crítica de Trump ocorre meses depois de os Estados Unidos incluírem PCC e Comando Vermelho na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras.
Com essa classificação, as autoridades norte-americanas ampliam os instrumentos jurídicos para aplicar sanções e adotar medidas contra integrantes, financiadores e entidades relacionadas aos grupos.
Na avaliação do governo dos Estados Unidos, as organizações mantêm atividades que ultrapassam as fronteiras brasileiras e apresentam riscos para outros países.
Governo brasileiro contesta avaliação
O governo brasileiro, por sua vez, contesta a avaliação norte-americana sobre o combate ao crime organizado e destaca as ações realizadas pelas autoridades brasileiras.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que o país ampliou as operações contra organizações criminosas, fortaleceu investigações e adotou medidas para atingir financeiramente as facções.
A pasta também cita a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado transnacional, incluindo ações de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e enfrentamento ao tráfico de armas.
Além disso, o governo brasileiro defende que o combate às organizações criminosas deve respeitar a soberania nacional e ocorrer por meio da cooperação entre os países.
Trump elogia mudanças em países da América do Sul
No mesmo documento, Trump adota um tom positivo ao tratar de alguns governos sul-americanos. O presidente norte-americano destaca mudanças recentes na Venezuela, na Bolívia e na Colômbia e aponta oportunidades para ampliar a cooperação com Washington.
No caso da Venezuela, Trump afirma que o governo interino de Delcy Rodríguez adotou medidas positivas contra organizações criminosas e que o país deixou de receber a classificação de “falha demonstrável” no combate às drogas.
Já na Bolívia, o presidente norte-americano destaca a aproximação entre os dois governos e a retomada da cooperação na área de segurança.
Na Colômbia, Trump menciona o presidente Abelardo de la Espriella e afirma que o novo governo pretende ampliar o combate ao cultivo de coca e à produção de cocaína. A Colômbia, no entanto, continua entre os países classificados como tendo falhado de forma demonstrável no cumprimento das obrigações de combate às drogas.
EUA também cobram ações de México e China
Além da América do Sul, o documento cobra medidas de outros países considerados importantes para as rotas internacionais de drogas.
Trump afirma que México e Canadá precisam ampliar os esforços para impedir a entrada de drogas nos Estados Unidos. O presidente também cobra da China medidas mais rígidas contra produtos químicos usados na produção de drogas sintéticas.
Segundo o documento, a China continua como importante fornecedora de produtos químicos precursores utilizados na fabricação ilegal de substâncias como fentanil e metanfetamina. Por isso, Trump defende controles adicionais sobre a exportação desses produtos.
Assim, o documento de 2027 combina avaliações específicas sobre diferentes governos com a definição dos países que Washington considera relevantes para as rotas internacionais de drogas. No caso brasileiro, Trump faz uma crítica direta à atuação contra PCC e Comando Vermelho, mas não inclui o Brasil na lista oficial dos 23 principais países de trânsito ou produção de drogas nem entre os quatro países classificados como “falha demonstrável”.

