Diante das incertezas provocadas pela medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que proíbe a operação e a publicidade das casas de apostas online no Brasil, clubes paulistas decidiram atuar em conjunto para avaliar os impactos financeiros e buscar alternativas.
A estratégia pretende evitar que algum clube adote uma medida isolada e enfraqueça uma eventual ação coletiva. Por isso, representantes de 11 equipes participaram, na manhã desta segunda-feira (28), de uma reunião intermediada pela FPF (Federação Paulista de Futebol), que vem articulando o diálogo entre os clubes.
Participaram representantes de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Mirassol e Red Bull Bragantino, que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro. Também participaram Botafogo, Novorizontino, Ponte Preta e São Bernardo, da Série B, além do Juventus, da Segunda Divisão Paulista.
Embora os clubes ainda não tenham definido nenhuma medida concreta, o encontro permitiu que profissionais das áreas jurídica e de marketing compartilhassem informações e avaliassem os possíveis efeitos da decisão do governo.
Em nota, a FPF confirmou a reunião e afirmou que pretende manter a atuação conjunta com os clubes.
“FPF e Clubes seguirão discutindo o tema e definiram que seguirão atuando sempre de forma coletiva, visando o melhor para o futebol.”
Clubes discutem possível apoio financeiro
A reunião ocorreu um dia antes de outro encontro, que reunirá clubes das quatro divisões do futebol nacional e representantes do Ministério do Esporte.
Além dos efeitos da medida provisória, os participantes devem discutir a possibilidade de criar mecanismos de apoio financeiro às equipes.
Nesse contexto, o governo acionou a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para intermediar as conversas com os clubes das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro.
De acordo com o ofício enviado pelo governo à entidade, a reunião pretende discutir o “fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro”.
A CBF, porém, ainda não definiu quem representará a entidade no encontro.
CBF reúne dirigentes com atuação política
A escolha da CBF como interlocutora ocorre enquanto a atual cúpula da entidade reúne dirigentes com vínculos com a política.
Entre os oito vice-presidentes está Gustavo Dias Henrique, responsável pela articulação política da confederação e primeiro suplente de Renan Calheiros (MDB) na disputa pelo Senado por Alagoas.
Além disso, Francisco Schertel Mendes aparece entre os nomes com influência na atual gestão da CBF. Filho do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, ele ocupa a vice-presidência da FMF (Federação Mato-Grossense de Futebol) e integra a assembleia da CBF.
Lula volta a criticar as casas de apostas
Nesta segunda-feira (28), ao sancionar um projeto com diretrizes para o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil, Lula voltou a criticar as casas de apostas.
O presidente afirmou que o futebol brasileiro alcançou seus principais momentos históricos sem depender do dinheiro das bets.
“Esse negócio da gente ter acabado com as bets não traz nenhum prejuízo para o futebol”, afirmou Lula.
Em seguida, Lula citou títulos mundiais conquistados pela seleção brasileira e por clubes como Flamengo, São Paulo, Corinthians, Grêmio e Santos para sustentar seu argumento.
“Os melhores momentos da história do futebol brasileiro, não existia a bets. O Brasil foi campeão do mundo em 1958, em 1962, em 1970, em 1994, em 2002, não existia bets”, disse o presidente.
Bets movimentaram mais de R$ 1 bilhão em 2025
Apesar da afirmação de Lula, os clubes brasileiros passaram a receber valores expressivos das empresas de apostas nos últimos anos.
Em 2025, os patrocínios das bets aos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro somaram cerca de R$ 1,03 bilhão, segundo levantamento da consultoria Convocados.
O valor representou crescimento de aproximadamente 66% em relação aos R$ 618 milhões registrados no ano anterior.
Ainda assim, os patrocínios das casas de apostas corresponderam a 7,2% das receitas totais dos clubes da elite do futebol brasileiro.
Em 2025, os 20 clubes da Série A registraram receita conjunta de R$ 14,3 bilhões, segundo o levantamento.

