Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

As populações de vertebrados selvagens diminuíram, em média, 73% entre 1970 e 2022, segundo o Relatório Planeta Vivo, produzido pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) para o WWF Internacional.

O levantamento analisou 35.803 populações de 5.790 espécies de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios. Em média, a abundância dessas populações caiu 2,5% ao ano durante o período.

O índice não representa a quantidade total de animais existentes no planeta. Ele mede a variação no tamanho das populações monitoradas. Por isso, uma queda no índice significa que, em média, essas populações estão menores do que eram no passado.

Água doce concentra maior queda

Entre os diferentes ambientes analisados, os ecossistemas de água doce apresentaram a maior redução: 85% em 52 anos.

A queda equivale a uma média de 3,6% ao ano. Segundo os pesquisadores, espécies de rios e lagos enfrentam ameaças como destruição de habitats, poluição, alterações no fluxo dos rios e construção de barragens.

O Índice Terrestre apresentou redução de 69%, enquanto o Índice Marinho caiu 59%.

América Latina tem maior declínio

A América Latina e o Caribe registraram a maior redução entre as regiões analisadas, com queda de 95% nas populações monitoradas.

Os demais resultados foram:

  • África: queda de 80%;
  • Ásia e Região do Pacífico: 49%;
  • América do Norte: 28%;
  • Europa e Ásia Central: 23%.

Os pesquisadores ressaltam que os números também refletem diferenças na quantidade e na qualidade dos dados disponíveis em cada região, além das características do período analisado.

Perda da biodiversidade ameaça a economia

O relatório alerta que a redução das populações de animais não representa apenas um problema ambiental. A perda da biodiversidade também pode afetar a economia, a segurança alimentar, a estabilidade das sociedades e o bem-estar humano.

Segundo o estudo, cerca de US$ 58 trilhões do PIB global de 2023 estavam relacionados a atividades que dependem, de alguma forma, da natureza.

Conservação pode reverter o cenário

Apesar do alerta, o relatório também apresenta exemplos de recuperação de espécies.

Os esforços de conservação resultaram na estabilidade ou no crescimento de metade das populações monitoradas pelo Índice Planeta Vivo.

No Brasil, a população de onças-pintadas na Mata Atlântica cresceu 280% entre 2019 e 2025, após ações coordenadas envolvendo governo, organizações da sociedade civil e produtores locais.

O relatório também destaca a recuperação da tartaruga-verde, que, em 2025, passou da categoria “Ameaçada” para “Pouco Preocupante” após décadas de esforços de conservação em diferentes países.

Um ponto de inflexão ainda é possível

Para os pesquisadores, os resultados mostram a dimensão da crise da biodiversidade, mas também indicam que a trajetória pode ser modificada.

O relatório defende ações de conservação em larga escala, restauração de ecossistemas e mudanças nos sistemas de produção de alimentos e energia.

A proposta é alcançar os chamados “pontos de inflexão positivos”, momentos em que mudanças favoráveis passam a se reforçar e podem acelerar a recuperação da natureza.

O alerta central do relatório é direto: a perda da biodiversidade não é inevitável, mas reverter essa tendência exige ações rápidas, contínuas e em escala global.

Redação Fatos Fontes

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