A Fórmula 1 anunciou, nesta terça-feira (13), um acordo de dez anos com Ruanda para retornar à África no início da década de 2030. O país receberá uma etapa da categoria em um autódromo que será construído em Bugesera, a cerca de 40 quilômetros ao sul da capital, Kigali.
A iniciativa encerra um período de ausência que começou em 1993, quando a categoria disputou sua última corrida no continente, no Grande Prêmio da África do Sul, em Kyalami. Na ocasião, o brasileiro Rubens Barrichello estreou na Fórmula 1.
Circuito terá projeto de ex-piloto da categoria
O novo autódromo ficará em Bugesera, na Província do Leste de Ruanda, próximo ao novo aeroporto internacional de Kigali. O projeto reúne a WurzDesign, do ex-piloto austríaco Alex Wurz, e o escritório Tilke, responsável pelo desenho de circuitos como Sepang, na Malásia.
Além disso, os projetistas pretendem aproveitar o relevo montanhoso do país para criar um traçado com subidas e descidas. Conhecido como a “terra das mil colinas”, Ruanda aposta nas características geográficas locais para dar identidade à pista.
Para receber uma etapa da Fórmula 1, o circuito precisará atender aos requisitos de Grau 1 da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). No entanto, a organização ainda não divulgou o cronograma das obras nem a data da primeira corrida.
O evento deverá receber o nome de Grande Prêmio da África e contará com o apoio do programa de turismo Visit Rwanda.
Ruanda aposta no esporte para ampliar sua projeção internacional
A escolha de Ruanda ocorre em meio aos esforços da Fórmula 1 para ampliar sua presença no continente africano. Segundo a categoria, a África reúne mais de 100 milhões de fãs do automobilismo, o que representa um público potencial para o campeonato.
Nesse contexto, Ruanda vem sediando eventos esportivos internacionais. Entre eles, estão o Mundial de Ciclismo de Estrada, o Congresso da FIFA de 2023, partidas da Basketball Africa League e a cerimônia de premiação da FIA em 2024.
O presidente da Fórmula 1, Stefano Domenicali, destacou a importância do acordo para ampliar o alcance geográfico da categoria. Com a entrada de Ruanda no calendário, a competição passará a realizar corridas em todos os continentes habitados.
Lewis Hamilton, da Ferrari, também defendeu o retorno da categoria à África e afirmou que trabalhou nos bastidores para apoiar o projeto. George Russell, da Mercedes, compartilhou a expectativa de ver o continente novamente representado no calendário.
Última corrida na África teve três brasileiros
A última etapa africana da Fórmula 1 ocorreu em 14 de março de 1993, no circuito de Kyalami, na África do Sul. Alain Prost venceu a prova pela Williams, enquanto Ayrton Senna terminou em segundo lugar com a McLaren.
Além de Senna, Christian Fittipaldi levou a Minardi à quarta posição. Rubens Barrichello, por sua vez, fez sua estreia na categoria pela Jordan, mas abandonou a corrida após um problema no câmbio.
Barrichello permaneceu na Fórmula 1 por 19 temporadas e construiu uma das carreiras mais longas entre os pilotos brasileiros. Agora, mais de três décadas depois daquela estreia, a perspectiva de uma nova corrida africana abre espaço para outro capítulo da história da categoria.
Atualmente, Gabriel Bortoleto representa o Brasil no campeonato, pela Audi.
Data da estreia ainda depende das obras
Apesar do anúncio do acordo de dez anos, a Fórmula 1 ainda não definiu a data exata da primeira edição do Grande Prêmio da África. A categoria também não apresentou o calendário de construção do autódromo nem os detalhes da programação do evento.
Assim, o retorno dependerá da conclusão da pista e do cumprimento dos requisitos técnicos exigidos pela FIA. Até que o projeto avance, Kyalami continuará como o último circuito africano a receber uma etapa do campeonato mundial de Fórmula 1.

