Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

As mudanças no calendário de vacinação dos Estados Unidos e o fortalecimento de discursos antivacina durante o governo de Donald Trump preocupam especialistas em saúde pública. Consequentemente, o país enfrenta o pior surto de sarampo em mais de três décadas, com mais de 4,4 mil casos confirmados e três mortes em 2026. Entre os infectados, 98% não completaram a vacinação.

O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, alerta que o negacionismo ameaça a saúde de todo o continente. Além disso, ele destaca que a vacina protege contra a doença e ajuda a interromper sua transmissão.

Casos importados colocam o Brasil em alerta

O aumento de casos em outros países também preocupa as autoridades brasileiras. Em 2026, o Brasil registrou 61 casos de sarampo, a maioria relacionada a pessoas que vieram do exterior. Apesar desse cenário, o país mantém a certificação de área livre da doença, pois não apresenta transmissão sustentada desde 2024.

No entanto, preservar essa condição exige vigilância constante e ampla cobertura vacinal. Em 2024, a primeira dose da vacina tríplice viral alcançou 96% de cobertura, enquanto a segunda chegou a 78%.

Mudanças nas recomendações afetam a confiança

Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 o número de vacinas recomendadas para todas as crianças. Também propôs separar a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, em três imunizantes diferentes.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, critica essas mudanças e afirma que elas não têm fundamentação científica. Além disso, ele alerta que recomendações contraditórias confundem a população e enfraquecem a confiança nas vacinas.

Por isso, especialistas defendem uma cobertura vacinal de pelo menos 95% para fortalecer a proteção coletiva e reduzir a circulação do vírus.

Desinformação amplia os riscos à saúde

As decisões do governo americano também repercutem no Brasil, principalmente por meio das redes sociais. Entretanto, as evidências científicas não sustentam uma relação causal entre vacinas e transtorno do espectro autista.

Outro motivo de preocupação envolve a vacina contra a hepatite B. As mudanças nas recomendações americanas já influenciam algumas famílias brasileiras, que recusam a dose aplicada ao nascimento. Juarez Cunha alerta que a infecção pelo vírus da hepatite B na infância apresenta alto risco de se tornar crônica, podendo causar cirrose e câncer de fígado.

Vacinação continua sendo essencial

Portanto, o Brasil precisa combater a desinformação, ampliar a conscientização e manter altas taxas de vacinação. Dessa forma, o país poderá reduzir o risco de novos surtos, proteger as populações vulneráveis e preservar o status de área livre de transmissão sustentada do sarampo.

Informações: Agência Brasil

Redação Fatos Fontes

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