Uma coleta realizada pela organização não governamental (ONG) Ecomov encontrou 137 resíduos de origem internacional na Praia de Itaguaré, em Bertioga, no litoral de São Paulo. Os materiais somaram mais de 28 quilos e apareceram durante apenas um dia de monitoramento, em 23 de outubro. Segundo a entidade, o volume representa o maior registro desse tipo na região.
Durante a ação, a equipe percorreu 6,16 quilômetros da faixa de areia, com aproximadamente 45 metros de largura. Entre os materiais recolhidos estavam embalagens de alimentos, garrafas de bebidas, produtos de limpeza e recipientes utilizados na manutenção de embarcações.
Além desse resultado, o levantamento da ONG identificou pelo menos 2,6 mil resíduos internacionais em praias entre São Sebastião e Iguape, de março de 2025 a maio de 2026. Os materiais apresentam identificação de 29 países distribuídos por quatro continentes.
China lidera lista de países de origem do lixo
Entre os 137 resíduos encontrados em Bertioga, 94,16% correspondiam a embalagens de alimentos e bebidas. A lista inclui garrafas de água, caixas de suco e leite, sachês de condimentos e recipientes de óleo de cozinha.
Além disso, os pesquisadores encontraram embalagens de desodorantes, inseticidas e selantes químicos utilizados em reparos náuticos.
A China liderou o levantamento, com 72 itens, mais da metade do total. Em seguida, apareceram a Malásia, com 11 registros, e a Turquia, com sete. Estados Unidos, Itália, Alemanha, Índia e Indonésia também integram a relação.
Segundo a Ecomov, aproximadamente 71% dos resíduos identificados têm origem asiática.
São Sebastião lidera registros no litoral paulista
O Projeto Overboard, iniciativa da Ecomov que monitora resíduos internacionais desde 2017, identificou ocorrências em diferentes municípios do litoral de São Paulo.
Entre março de 2025 e maio de 2026, São Sebastião liderou o levantamento, com 705 registros. Logo depois, Peruíbe apareceu na segunda posição, com 599, enquanto Bertioga ocupou o terceiro lugar, com 295.
Confira as cidades com mais ocorrências:
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São Sebastião: 705 resíduos;
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Peruíbe: 599 resíduos;
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Bertioga: 295 resíduos;
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Caraguatatuba: 126 resíduos;
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Ilhabela: 72 resíduos.
Juntas, as cinco cidades concentram 1.797 ocorrências entre os pelo menos 2,6 mil resíduos identificados pela organização.
Descarte por embarcações é uma das hipóteses
O presidente da Ecomov, Rodrigo Azambuja, aponta o descarte irregular por embarcações como uma possível explicação para a presença de materiais estrangeiros nas praias paulistas.
De acordo com a ONG, as características das embalagens e dos produtos encontrados indicam possível relação com o consumo a bordo de navios mercantes. Entretanto, a organização ressalta que os dados não permitem afirmar que as embarcações descartaram os objetos diretamente no mar.
Outra hipótese relaciona parte dos materiais aos navios que percorrem a costa brasileira em direção ao Porto de Santos. Nesse cenário, a circulação de embarcações pela região pode ajudar a explicar a presença de resíduos de diferentes nacionalidades no litoral paulista.
A Ecomov também estima que áreas portuárias das regiões Sudeste e Sul recebam diariamente mais de uma tonelada de lixo internacional. No entanto, a entidade não detalhou a metodologia utilizada para chegar a esse cálculo.
ONG acompanha investigação sobre resíduos no litoral
Além do monitoramento nas praias, a Ecomov acompanha um inquérito civil junto ao Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Com esse trabalho, a organização busca identificar possíveis origens dos materiais e contribuir com medidas de fiscalização e conservação ambiental.
Os registros históricos também mostram a presença recorrente de lixo internacional nas praias paulistas. Em 2019, a ONG identificou 220 itens. Já em 2024, o número chegou a 1.218 resíduos, um crescimento de aproximadamente 454%.
Apesar do aumento expressivo, os números exigem cautela na comparação. Isso porque o levantamento não informa se a frequência e a abrangência das coletas permaneceram iguais ao longo dos anos. Portanto, os dados mostram o crescimento dos registros, mas não permitem concluir, isoladamente, que o descarte de lixo internacional no mar aumentou na mesma proporção.

