O Santos Futebol Clube adiou a votação do novo Estatuto do clube, que estava prevista para domingo (8), das 8h às 17h. A decisão do Conselho Deliberativo transfere a Assembleia Geral para depois da eleição presidencial, marcada para o segundo sábado de dezembro.
A Mesa do Conselho Deliberativo justificou o adiamento pela necessidade de preservar o calendário eleitoral e evitar mudanças nas regras durante o processo de escolha do próximo presidente. Segundo o órgão, a medida também busca assegurar condições iguais a todos os pré-candidatos.
A aprovação do novo Estatuto poderia alterar os prazos para inscrição das chapas. Pela proposta inicial, os concorrentes teriam até 12 de novembro para registrar suas candidaturas e apresentar a documentação exigida.
Com a manutenção das regras atuais, o prazo permanece em 22 de novembro. Dessa forma, os candidatos poderão organizar suas campanhas sem enfrentar mudanças decorrentes de uma eventual aprovação do documento.
Novo Estatuto reúne propostas que dividem opiniões
A discussão sobre a reforma estatutária começou em junho e chegou à etapa final em 28 de setembro, quando os conselheiros concluíram a votação das emendas apresentadas ao texto.
Durante o processo, torcedores manifestaram insatisfação com algumas propostas e acompanharam de perto as reuniões. A oposição conseguiu barrar boa parte das alterações mais controversas, como o aumento do tempo de associação necessário para participar das eleições e as mudanças nos critérios para disputar a presidência.
Um dos principais pontos da reforma envolve a possibilidade de o Santos se transformar em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A versão atual do texto permite a negociação de até 80% das cotas do clube. A proposta inicial da comissão responsável pela revisão estabelecia um limite de 90%.
Proposta da SAF depende de mudanças no Estatuto
O presidente Marcelo Teixeira condicionou a apresentação de uma proposta da SDC Sports à aprovação da reforma estatutária. O grupo apresentou seu projeto aos conselheiros em agosto e aguarda uma definição dos associados.
Caso o novo Estatuto receba aprovação dos conselheiros e dos sócios, as alterações passarão a valer imediatamente. Mesmo assim, o calendário eleitoral dificulta a análise de uma eventual proposta de aquisição da SAF ainda neste ano.
A possibilidade de transformação do Santos em empresa também divide a torcida. Parte dos associados questiona a relação entre as discussões sobre a SAF e a mobilização pela aprovação do novo Estatuto. Entre as preocupações está o possível uso do projeto empresarial como argumento para conquistar apoio às mudanças nas regras internas.
Reforma também prevê mudanças na administração do clube
Além das disposições relacionadas à SAF, o documento reúne outras alterações importantes na estrutura política e administrativa do Santos.
Entre elas estão a extinção do Comitê de Gestão, a possibilidade de remuneração para o presidente e o vice-presidente e mudanças no período de associação exigido para que um sócio conquiste o direito de voto.
Com o adiamento, a decisão sobre o novo Estatuto ficará para depois da eleição presidencial. Os associados precisarão aguardar uma nova convocação da Assembleia Geral para definir quais regras orientarão a administração e o futuro político do clube.

