Foto: Divulgação

O cinema ocupa diferentes espaços de Santos entre os dias 4 e 8 de novembro, com a 24ª edição do Curta Santos – Festival de Cinema de Santos. A programação reúne mais de 60 filmes gratuitos, produções de diferentes países, debates sobre inteligência artificial e novas formas de contar histórias.

Com o tema “24 com Orgulho”, o festival destaca a diversidade, a representatividade e o acolhimento no audiovisual. A edição também celebra a trajetória do evento, que completará 25 anos em 2027.

O diretor Ricardo Vasconcellos e a produtora e professora Raquel Pellegrini apresentaram as novidades do festival durante o episódio de terça-feira (3) do programa Orla Cultura, disponível no Orla Play. Na conversa, eles também discutiram a importância da representatividade no cinema e os desafios do setor diante das novas tecnologias.

Diversidade e representatividade no cinema

Ricardo explica que a equipe escolheu o tema a partir de uma reflexão sobre a história do festival e o orgulho de chegar à 24ª edição. A proposta também valoriza a diversidade e o acolhimento.

Raquel destaca que a representatividade precisa aparecer tanto nas histórias que chegam às telas quanto nos profissionais que trabalham na produção audiovisual. Para ela, ampliar a participação de pessoas com diferentes origens e vivências na direção, no roteiro e em outras áreas permite construir narrativas mais diversas.

“Ninguém melhor do que a gente para contar a nossa história”, afirma.

A produtora também defende filmes que apresentem personagens LGBTQIAPN+, negros e pessoas com deficiência sem estereótipos ou abordagens que reduzam suas trajetórias à violência.

Festival abre espaço para novos formatos

Entre as novidades desta edição, a Mostra Internacional Olhar Mundi reúne produções da Ásia, da Europa e da América Latina. Outra estreia, a mostra Tudo em Pé, apresenta filmes em formato vertical, pensado para a visualização em celulares e cada vez mais presente nas redes sociais.

A iniciativa acompanha o crescimento das novelas curtas e dos microdramas no mercado audiovisual. Ricardo avalia que a inclusão desses formatos amplia as oportunidades profissionais e acompanha as transformações do setor, sem ameaçar o curta-metragem tradicional.

“Isso não vai acabar com o curta-metragem na horizontal. Pelo contrário, é bom para a indústria audiovisual e para o trabalho, porque gera mais frentes de atuação. São outras possibilidades para trazer mais pessoas ao mercado”, comenta.

O festival também mantém mostras tradicionais. A Olhar Caiçara destaca produções da Baixada Santista, enquanto a Olhar Brasilis reúne curtas de diferentes regiões do País. Já a Videoclipe Caiçara abre espaço para bandas e artistas da região.

Instituto Querô recebe homenagem pelos 20 anos

A programação também celebra os 20 anos do Instituto Querô, que completa duas décadas de atuação em 2026. A instituição desenvolve projetos de formação profissional e cidadã para jovens da Baixada Santista e aproxima os participantes do cinema e de diferentes áreas da produção audiovisual.

Muitos desses jovens estudam em escolas públicas e vivem em famílias de baixa renda, em contextos nos quais uma carreira artística nem sempre aparece como possibilidade profissional.

Raquel destaca que o trabalho do instituto vai além da capacitação técnica e contribui para o desenvolvimento pessoal dos participantes.

“Além dessa formação, existe uma formação cidadã muito forte dentro do Querô. Os jovens desenvolvem uma noção de participação, identidade e entendem quem são, a potência que têm e o que podem fazer”, explica.

Fórum discute inteligência artificial no audiovisual

As mudanças na produção audiovisual também entram na programação do festival. No sábado (7), o Sesc Santos recebe a segunda edição do Fórum do Audiovisual Santista, com painéis sobre narrativas verticais e inteligência artificial na indústria criativa.

A tecnologia oferece recursos para agilizar processos e reduzir custos, mas também provoca discussões sobre o futuro dos profissionais do setor.

Raquel considera essencial discutir os limites dessas ferramentas e preservar a criatividade humana. Para ela, a inteligência artificial pode facilitar etapas da produção, mas não deve eliminar oportunidades de trabalho.

“A inteligência artificial pode facilitar muito alguns processos e baratear a produção, mas a substituição da força criativa é uma questão delicada. Não podemos jamais substituir uma frente de trabalho”, avalia.

Abertura terá filme de Daniel Rezende

O Sesc Santos recebe a cerimônia de abertura às 19h. A artista, performer e criadora de conteúdo Shey Lona apresenta a noite, que também conta com a participação do Maracatu Quiloa, grupo santista fundado em 2003 e dedicado à cultura do baque virado e às tradições de matriz africana.

A cerimônia inclui homenagens aos 20 anos do Instituto Querô, à ex-prefeita de Santos Telma de Souza e ao engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha.

O filme O Filho de Mil Homens, novo trabalho do cineasta Daniel Rezende, marca a sessão de abertura. O diretor também assina produções como Cidade de Deus, Bingo: O Rei das Manhãs e Turma da Mônica: Laços.

Na quinta-feira (5), às 15h, Daniel participa de um bate-papo com o público no Sesc Santos, com mediação de Raquel Pellegrini.

Todas as atividades têm entrada gratuita

O Curta Santos oferece entrada gratuita em todas as atividades. O público pode consultar a programação completa, com horários e informações sobre as sessões, no perfil oficial do festival no Instagram: @festivalcurtasantos.

Redação Fatos Fontes

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