Foto: Felipy Brandão

O preço dos imóveis em Santos chegou a quase R$ 12 mil por metro quadrado em 2026. Segundo dados apresentados pela economista e professora universitária Viviam Ester de Souza, o valor médio dos lançamentos residenciais alcançou R$ 11.856, com alta de aproximadamente 7% em 12 meses.

A valorização imobiliária acompanha diferentes fatores, como a falta de terrenos na ilha, a proximidade com São Paulo, as atividades portuárias, o turismo e a procura por imóveis para investimento e segunda residência.

No entanto, o crescimento do setor também aumenta os desafios para quem vive na cidade. Com os preços de compra e aluguel em alta, jovens santistas e famílias de classe média enfrentam dificuldades para conquistar a casa própria ou continuar nos bairros onde construíram suas histórias.

Além disso, a falta de terrenos impulsiona a construção de edifícios

Com poucas áreas disponíveis para novos empreendimentos, as construtoras apostam cada vez mais em prédios altos. Dados apresentados pela economista indicam que 67,1% das moradias de Santos são apartamentos.

Para aproveitar melhor cada terreno, as empresas ampliam o número de unidades por empreendimento e, em muitos casos, reduzem o tamanho dos apartamentos.

Entretanto, a expansão dos edifícios também pressiona a infraestrutura urbana. O aumento do trânsito, a demanda por mobilidade, o consumo de água e energia e os impactos sobre a qualidade do ar exigem atenção do poder público.

Enquanto isso, famílias procuram moradia em cidades vizinhas

A alta dos preços e a falta de imóveis compatíveis com a renda familiar levam muitos moradores a procurar alternativas em outros municípios da Baixada Santista.

Entre 2010 e 2022, Santos registrou uma redução populacional de 0,2%. Em contrapartida, Praia Grande cresceu 33,5%, Itanhaém avançou 29,2% e Peruíbe teve aumento de 14,3%.

Segundo a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, a redução da oferta de imóveis acessíveis afeta principalmente famílias de renda média. Por isso, parte desses moradores procura bairros mais distantes ou cidades vizinhas.

A instituição destaca que muitos santistas, cujos pais e avós também viveram e trabalharam na cidade, já não conseguem comprar um imóvel em seu município de origem. Nesse cenário, Praia Grande aparece entre os principais destinos dessas famílias.

Além da distância, a mudança altera a rotina dos moradores. Muitos passam mais tempo no trânsito e encontram dificuldades para manter a convivência com familiares, amigos e vizinhos.

Além dos imóveis, a valorização transforma a vida nos bairros

A expansão imobiliária também modifica a identidade dos bairros santistas. À medida que as construtoras substituem casas por edifícios, a cidade perde parte de seus espaços tradicionais de convivência.

Para Fabrício Godoi, coordenador do IAB/SP Núcleo Baixada Santista e Vale do Ribeira, a saída de moradores antigos e o desaparecimento de comércios tradicionais enfraquecem os vínculos comunitários.

O especialista destaca a importância das praças, dos clubes, das festas de bairro e das conversas nas calçadas para a convivência entre diferentes gerações.

Dessa forma, a mudança no perfil dos imóveis também transforma as relações entre os moradores e a identidade cultural de Santos.

Por outro lado, novos moradores movimentam o comércio local

A chegada de novos consumidores também cria oportunidades para os estabelecimentos comerciais. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santos, o crescimento populacional em determinados bairros aumenta a circulação de pessoas e estimula novos negócios.

Nesse contexto, os pequenos empreendedores podem investir no atendimento personalizado, na proximidade com os clientes e em produtos diferenciados.

Enquanto isso, as grandes redes ampliam a oferta de serviços e atraem consumidores. Para a CDL, os dois modelos podem coexistir e fortalecer a economia dos bairros.

A entidade também destaca que a identidade santista e a valorização das raízes locais ajudam os comerciantes a manter a proximidade com a população.

Além disso, mercado imobiliário destaca opções para diferentes rendas

Representantes do setor imobiliário afirmam que Santos não concentra seus empreendimentos apenas no público de alta renda.

Segundo Carlos Meschini, diretor regional do Secovi-SP, os compradores de imóveis de alto padrão incluem empresários, executivos e profissionais ligados às atividades portuárias e ao polo industrial de Cubatão.

O representante também ressalta que o mercado oferece apartamentos compactos, empreendimentos econômicos e unidades destinadas à Habitação de Interesse Social.

Por fim, Santos precisa conciliar crescimento e direito à moradia

Diante da valorização imobiliária, Santos enfrenta o desafio de atrair investimentos sem afastar seus próprios moradores.

Para a Defensoria Pública, o planejamento urbano precisa incluir medidas para conter a especulação imobiliária e ampliar o acesso a terrenos e imóveis compatíveis com a renda da população.

A instituição defende que o desenvolvimento econômico deve caminhar junto com políticas públicas de moradia.

Portanto, além de incentivar novos empreendimentos e melhorar a infraestrutura, a cidade precisa criar condições para que jovens, famílias e moradores antigos continuem vivendo em Santos e preservem seus vínculos com o município.

Felipy Brandão

Jornalista, pós-graduando em Jornalismo Digital e Comunicação pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

By Felipy Brandão

Jornalista, pós-graduando em Jornalismo Digital e Comunicação pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *