Foto: Marcelo Martins/PMS

A verticalização de Santos e os desafios para preparar a Cidade para as próximas décadas dominaram os debates do quinto fórum do projeto Santos 500+ – Caminhos Para o Futuro, realizado nesta quinta-feira (28), no auditório do Grupo Tribuna.

Durante o encontro, os secretários municipais Larissa Oliveira Cordeiro, de Obras e Edificações, e Glaucus Farinello, de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, apresentaram projetos e dados sobre o crescimento urbano santista. Além disso, representantes da construção civil e especialistas discutiram habitação, mobilidade e planejamento urbano no Município mais verticalizado do Brasil.

Ao abrir a apresentação, Larissa destacou os impactos do crescimento vertical no planejamento da Cidade e reforçou a necessidade de equilíbrio urbano.

“A paisagem urbana santista está em transformação e precisamos analisar pilares fundamentais como zoneamento, potencial construtivo, impacto urbanístico, ventilação, sustentabilidade e acessibilidade para que Santos cresça corretamente”, afirmou.

Na sequência, Glaucus Farinello apresentou propostas voltadas à descentralização do desenvolvimento urbano. Entre elas, estão a revitalização do Centro Histórico e a criação de um corredor verde que vai conectar o mangue, os morros, os parques públicos e a Ponta da Praia.

“Se vamos conviver com os prédios, precisamos trazer novamente a natureza da Mata Atlântica para dentro da Cidade. Não basta tornar os edifícios mais sustentáveis. A rua também precisa ficar mais sustentável”, disse.

O projeto prevê o plantio de mais de 5 mil árvores em um eixo urbano que começa no Parque Palafitas e atravessa Santos. Com isso, a Administração Municipal busca ampliar a reconexão ambiental e melhorar a qualidade de vida nos bairros.

Parque Palafitas 

Além disso, Glaucus destacou o Parque Palafitas como exemplo de integração entre habitação popular, sustentabilidade e recuperação ambiental na Vila Gilda.

“O Parque Palafitas é um exemplo de coragem, inovação e transformação social. Precisamos fazer com que todo santista possa usufruir da riqueza da Cidade”, ressaltou.

Após as apresentações, o fórum reuniu o engenheiro civil e cientista político Alcindo Gonçalves, o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Mateus Teixeira, e o especialista em arquitetura vertical Luiz Henrique Villanova para um painel de debates sobre desenvolvimento urbano.

Organizado pelo Grupo Tribuna, o projeto Santos 500+ promove encontros voltados à construção de propostas para o futuro da Cidade. O evento já discutiu temas como mobilidade urbana, mudanças climáticas, educação, demografia e desenvolvimento sustentável.

MODELO COMPACTO E DENSO

Durante o fórum, especialistas defenderam o modelo de cidade compacta e densa como alternativa ao espraiamento urbano desordenado. Em Santos, esse formato ajuda a preservar cerca de 75% do território municipal, incluindo áreas de manguezais e Mata Atlântica. Além disso, aproxima moradia, comércio e serviços, o que reduz deslocamentos e incentiva formas mais sustentáveis de mobilidade.

Entre as iniciativas destacadas, o programa Santos Sustentável prevê corredores verdes, ampliação da arborização urbana, jardins de chuva, incentivo à mobilidade ativa e reconexão da Cidade com áreas naturais.

Dados da Secretaria de Obras e Edificações mostram que Santos construiu 96 edifícios entre 21 e 30 andares entre 1956 e 2023. Além disso, a Cidade ganhou outros 15 prédios com 31 a 39 pavimentos no mesmo período.

Município de Santos 

Atualmente, o Município soma cerca de 30 milhões de metros quadrados construídos, número seis vezes maior do que o registrado até 1956.

Apesar da imagem associada às torres da orla, o levantamento aponta que os tradicionais “predinhos”, edifícios de dois a quatro pavimentos sem elevador, formam grande parte da verticalização santista.

Ademais, segundo o Censo 2022 do IBGE, 67,1% das moradias de Santos são apartamentos, o maior percentual do Brasil.

O estudo da Secretaria de Obras e Edificações reúne dados de 43 mil imóveis da área insular e deve orientar futuras revisões urbanísticas e debates técnicos sobre o crescimento da Cidade.

Redação Fatos Fontes

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