Durante 75 anos, a Confeitaria Joinville fez parte da rotina de moradores e visitantes de Santos. Muito mais do que um endereço para um café ou um doce, o estabelecimento tornou-se um ponto de encontro da cidade e ajudou a construir a memória afetiva de diferentes gerações.
A história começou em 10 de dezembro de 1951, quando uma família de origem alemã inaugurou a confeitaria. Os fundadores haviam deixado Joinville, em Santa Catarina, para viver em Santos. Como homenagem à cidade onde moravam anteriormente, escolheram o nome que acompanharia o negócio por mais de sete décadas.
Novos proprietários deram continuidade ao negócio
Na década de 1960, a confeitaria passou para as mãos dos espanhóis Francisco e Carmen, que deram sequência ao trabalho iniciado pelos fundadores. Anos depois, em 18 de janeiro de 1986, o casal decidiu retornar à Espanha e vendeu o estabelecimento para a família Tarallo.
A transição preservou um dos maiores patrimônios da empresa: sua equipe. Entre os funcionários estava Ana Maria Nicolau, que já atuava na confeitaria havia anos. Ela acompanhou diferentes administrações e participou da fase de maior crescimento do negócio, permanecendo na empresa até 2012.
O período de maior sucesso
A chegada da família Tarallo marcou uma nova etapa na história da Confeitaria Joinville. Sob a administração de Natal Rúbio Tarallo e Rogério Tarallo, e posteriormente de Ronaldo Tarallo, o estabelecimento ampliou sua popularidade e consolidou sua posição como uma das referências gastronômicas da orla de Santos.
Entre as décadas de 1980 e 1990, a confeitaria viveu seu período de maior movimento. O salão reunia famílias, amigos, turistas e frequentadores da praia durante todo o ano, tornando-se um dos espaços mais tradicionais da cidade.
A influência era tão grande que o trecho da praia localizado entre o Canal 3 e a estátua de Vicente de Carvalho ganhou um apelido conhecido pelos santistas: Praia da Joinville. Mesmo atualmente, muitas pessoas ainda utilizam essa expressão. Outros moradores também se referem ao local como Praia do Moby Dick.
Reformas e mudanças administrativas
A família Tarallo permaneceu à frente da confeitaria até 30 de abril de 2012. Após a venda, o imóvel passou por reformas e ficou fechado por cerca de um ano e meio enquanto a nova administração reorganizava o espaço.
Em 2019, José Sudário, que conhecia a rotina da casa por ter trabalhado no local, assumiu oficialmente a operação. Sua gestão buscou preservar as características que fizeram da Joinville uma referência em Santos, mantendo receitas tradicionais e o atendimento que marcou gerações.
Apesar desse esforço, a confeitaria encerrou definitivamente suas atividades em junho de 2026, encerrando uma trajetória iniciada 75 anos antes.
Um legado que permanece na memória dos santistas
A importância da Confeitaria Joinville vai além da gastronomia. Durante décadas, o estabelecimento esteve presente em momentos especiais da vida de milhares de pessoas, como aniversários, encontros familiares, cafés da tarde e passeios pela orla.
Além disso, turistas de diferentes regiões do Brasil incluíam a confeitaria em seus roteiros pela cidade, fortalecendo sua imagem como um dos símbolos do comércio tradicional de Santos.
Embora as portas tenham sido fechadas, a história construída desde 1951 continua viva na lembrança de quem frequentou o local. O encerramento das atividades representa o fim de um capítulo importante da cidade, mas também reforça o legado deixado por uma das confeitarias mais emblemáticas da Baixada Santista.
Com informações de Ronaldo Tarallo JR

