Foto: Divulgação/APS

O Porto de Santos poderá enfrentar desafios significativos para acompanhar o crescimento da demanda projetada para os próximos anos. A conclusão faz parte do estudo Santos 10+, apresentado pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo, que alerta para a necessidade de investimentos em infraestrutura logística até 2035.

De acordo com o levantamento, a movimentação de cargas deverá crescer dos atuais 190 milhões de toneladas para cerca de 291 milhões de toneladas em 2035. Embora a capacidade operacional dos terminais também esteja prevista para aumentar, os principais gargalos tendem a ocorrer nos acessos rodoviários e aquaviários ao complexo portuário.

“O objetivo não foi dar solução. Fizemos um diagnóstico do Porto, apontando como ele está hoje e considerando a demanda prevista para os próximos dez anos, avaliando ainda o que acontece com a infraestrutura diante desse crescimento. Queremos chamar a atenção para o maior porto do país e estimular a discussão sobre o que precisaremos fazer para continuar crescendo”, afirmou o diretor-executivo do Sopesp, Ricardo Molitzas.

Estudo 

O estudo indica que o fluxo de caminhões poderá registrar crescimento de até 136% em determinados corredores logísticos, pressionando regiões como Valongo-Saboó, Alemoa e a área da Rua do Adubo, no Guarujá. Sendo assim, diante desse cenário, obras como a terceira pista do Sistema Anchieta-Imigrantes e o túnel Santos-Guarujá são apontadas como fundamentais para ampliar a fluidez do transporte de cargas.

Ademais, além dos acessos terrestres, o levantamento destaca a importância do aprofundamento do canal de navegação para receber embarcações de maior porte. A projeção é que o número de navios que operam no porto passe de 1.608 em 2025 para até 2.270 em 2035.

“O acesso rodoviário já apresenta sinais claros de saturação, mas precisamos olhar também para o acesso aquaviário. O aprofundamento do canal é fundamental para garantir a competitividade do Porto de Santos diante da evolução da navegação mundial e do aumento do porte dos navios”, destacou Molitzas.

Contudo, o presidente do Sopesp, Régis Prunzel, ressaltou que os investimentos realizados dentro dos terminais precisam ser acompanhados por melhorias externas.

“Chega um momento em que os investimentos feitos dentro dos terminais deixam de produzir resultados se não houver evolução dos acessos. Não adianta o porto ser mais eficiente internamente se a infraestrutura externa não acompanhar esse crescimento”, afirmou.

Segundo o dirigente, sem planejamento e investimentos coordenados, o Porto de Santos poderá alcançar movimentações recordes de carga, mas continuar convivendo com problemas logísticos semelhantes aos observados atualmente. “Sem a implementação coordenada de melhorias nos acessos terrestres e aquaviários, o Porto poderá chegar a 2035 movimentando volumes recordes, mas convivendo com problemas muito semelhantes aos observados atualmente”, concluiu.

Redação Fatos Fontes

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