Foto: Marcella Biasi

O Novo Quebra-Mar, na Praia do José Menino, ganhou 14 mapas táteis para facilitar a orientação e ampliar a autonomia dos visitantes. As peças representam jardins, areia, mar, prédios e equipamentos esportivos em diferentes formatos e texturas.

Entre os recursos, os visitantes também encontram uma miniatura da escultura da artista plástica Tomie Ohtake, com suas curvas e ondulações.

Além disso, cada mapa apresenta informações em alto-relevo e braile. Os QR Codes, por sua vez, direcionam para conteúdos com audiodescrição e interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Projeto amplia acessibilidade

A Prefeitura desenvolveu os mapas como parte de um projeto-piloto de acessibilidade. Para facilitar o uso por pessoas em cadeiras de rodas, a equipe instalou os equipamentos sobre bases acessíveis.

Agora, o projeto entra em uma nova etapa. A Prefeitura vai instalar piso tátil em todo o parque para conectar os 14 mapas e criar uma rota acessível por toda a área do Novo Quebra-Mar. A previsão indica a conclusão da iniciativa ainda em setembro.

Segundo o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Wagner Ramos, arquiteto que participou da elaboração da proposta, o projeto busca facilitar a orientação dos visitantes.

“O objetivo é proporcionar aos visitantes orientação e compreensão do espaço público, indo além do atendimento às exigências normativas e promovendo efetivamente a inclusão”, afirmou Ramos.

A proposta segue os critérios e parâmetros da ABNT NBR 9050, norma que estabelece requisitos de acessibilidade para edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.

Mapas apresentam atrações do parque

O primeiro mapa fica no acesso principal e apresenta o Novo Quebra-Mar de forma geral. Os outros 13 mapas detalham diferentes áreas e equipamentos.

Assim, os visitantes podem conhecer, por meio do toque, espaços como a Praça das Gerações, a pista de patinação, a Administração, a quadra de basquete, o parque infantil e a Escola de Surfe.

Os mapas também representam a fonte interativa, a pista de pump track, a Roda de Capoeira, o Museu do Surf, o Centro de Treinamento, a pista de skate, a arquibancada do surfe e os sanitários.

Outro equipamento mostra a área do mirante, a escultura de Tomie Ohtake e o heliponto.

Além das atrações, as peças identificam elementos presentes no percurso, como bebedouros, grama, areia, encosta de pedra, piso emborrachado, grelhas, jatos de água, alambrados, guarda-corpos, mesas e assentos.

Os mapas também indicam áreas de risco, travessias em nível, sinalização tátil e o mar. Dessa forma, as diferentes texturas ajudam o visitante a reconhecer cada espaço.

Projeto aposta em experiência tátil

A equipe responsável pelo desenvolvimento buscou ampliar o conceito tradicional de mapa tátil. A arquiteta Daniella Yamana participou do trabalho ao lado da arquiteta Tainah Perrotta.

Segundo Daniella, a proposta combina informações gráficas e textuais com representações tridimensionais dos principais elementos do parque.

“O objetivo foi proporcionar uma experiência mais rica e imersiva, incorporando às informações gráficas e textuais representações tridimensionais dos principais elementos arquitetônicos, paisagísticos e monumentais”, explicou.

Para desenvolver o modelo final, a equipe criou protótipos e realizou testes. Essa etapa ganhou importância porque as normas técnicas brasileiras não apresentam diretrizes específicas para todos os aspectos envolvidos na criação e instalação de mapas táteis em espaços públicos.

Além disso, a equipe buscou referências em projetos de acessibilidade cultural e turística. Entre elas, estão a maquete tátil do Memorial da América Latina e o projeto Visões Sonoras da Cidade, desenvolvido pela Prefeitura do Recife.

Experiências multissensoriais de museus brasileiros e estrangeiros também contribuíram para o desenvolvimento da proposta.

Pessoas com deficiência participaram dos testes

A equipe também contou com a participação de pessoas com deficiência visual durante o desenvolvimento. Alunos e representantes do Lar das Moças Cegas avaliaram os protótipos e apresentaram sugestões.

A equipe incorporou essas contribuições ao projeto executivo. Além disso, os resultados dos testes poderão orientar futuras iniciativas de acessibilidade.

A Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) da Prefeitura acompanhou o desenvolvimento inicial. O educador Vinicius Ladivez, da Fábrica de Cultura, também colaborou com o projeto.

Técnicos e alunos do Ateliê Maker da Fábrica de Cultura ajudaram a desenvolver os primeiros protótipos. Eles analisaram os materiais principalmente quanto à percepção tátil e à durabilidade.

Diferentes áreas participaram da iniciativa

O projeto reuniu ainda o Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Condefi), a Secretaria de Comunicação e Economia Criativa (Secom) e a Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (Semulher).

A Secom produziu e editou os materiais audiovisuais, publicou os conteúdos em uma plataforma digital e disponibilizou os 14 QR Codes dos mapas.

Por sua vez, a Semulher disponibilizou intérpretes da Central de Libras para a gravação dos vídeos.

Com a instalação do piso tátil, a Prefeitura pretende integrar todos esses recursos e facilitar a circulação, a orientação e a compreensão dos espaços do Novo Quebra-Mar.

Redação Fatos Fontes

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