O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou nesta terça-feira (15) o ministro André Mendonça de usar o caso envolvendo o Banco Master para interferir na eleição presidencial de 4 de outubro.
Durante a sessão extraordinária da Corte, Gilmar afirmou que a condução do processo apresenta um suposto viés político-eleitoral.
“É evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido”, declarou Gilmar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Em seguida, o decano criticou a atuação do colega. “Isso não se faz, pessoas decentes não fazem isso”, afirmou.
Mendonça rebate acusação de Gilmar
André Mendonça reagiu imediatamente às declarações. O ministro classificou como “leviana” a suspeita apresentada por Gilmar.
“Não aponte o dedo para mim”, respondeu Mendonça.
Depois da troca de acusações, Fachin afirmou que Mendonça terá tempo para responder às declarações do decano.
STF analisa investigação contra Moraes
A discussão ocorreu durante uma sessão extraordinária convocada por Fachin. Nesta terça-feira, o STF analisa a possibilidade de abrir uma investigação criminal contra o ministro Alexandre de Moraes.
O caso envolve informações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF). O relatório relaciona Moraes ao ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
Mendonça, que relata o caso no Supremo, retirou o sigilo do documento em 1º de setembro.
Relatório reúne mensagens atribuídas a Vorcaro
O documento apresenta 52 mensagens que os investigadores atribuem a Daniel Vorcaro e que teriam como destinatário Alexandre de Moraes.
Segundo a PF, as mensagens abrangem o período entre 2023 e 17 de novembro de 2025. Naquela data, a polícia prendeu Vorcaro preventivamente.
Em uma das mensagens, Vorcaro aparentemente menciona um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Além disso, outra conversa indica que Vorcaro teria procurado informações sobre uma operação policial que poderia resultar em sua prisão.
Moraes nega qualquer irregularidade. Em manifestação apresentada nesta terça-feira (15), o ministro classificou o relatório como ilegal e inconstitucional.
PGR questiona atuação de Mendonça
Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin que anule o relatório parcial.
A PGR argumenta que Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar previamente o presidente da Corte ou o plenário.
Além disso, o órgão levantou a possibilidade de direcionamento na condução da investigação.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também aparece nas mensagens que a PF atribui a Vorcaro.
Moraes apresenta acusações contra Mendonça
Após a divulgação do relatório, Moraes apresentou, em 2 de setembro, outro documento que classificou como relatório de inteligência da PF.
O material levantou a possibilidade de Mendonça ter direcionado a Operação Compliance Zero para atingir adversários políticos.
No entanto, o documento não apresenta assinatura nem timbre da Polícia Federal. Além disso, a própria capa informa que o material representa uma conjectura e não possui valor probatório.
Por isso, Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Fachin marcou a análise desse pedido para 23 de setembro.
Gilmar pede adiamento do julgamento
Ao final de sua manifestação, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem e pediu o adiamento do julgamento para 23 de setembro.
A data coincide com a sessão em que o STF analisará o pedido de Moraes contra Mendonça.
Na sequência, Fachin suspendeu a sessão para o almoço. A TV Justiça também interrompeu a transmissão por causa do horário eleitoral gratuito.
O STF deve retomar o julgamento às 15h.

