Foto: Divulgação/Instituto Almai

O cuidado com o desenvolvimento de jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganha um novo olhar na Baixada Santista. A partir de uma demanda crescente, o Instituto Almai lançou o programa Almai 12+ Teen. A iniciativa é voltada a adolescentes que já passaram pela fase infantil, mas ainda necessitam de acompanhamento especializado.

Nova fase exige novo cuidado

“A criação do Almai 12+ Teen surgiu a partir de uma necessidade real que observamos ao longo dos anos. Muitos adolescentes que passaram pela intervenção na infância ainda precisavam de suporte, mas já não se encaixavam mais no modelo tradicional infantil”, explica Beatriz Andrade da Paixão, psicóloga do Instituto Almai.

Além disso, ela destaca os desafios da fase.

“Essa etapa envolve autonomia, relações sociais e construção de identidade. Por isso, esse público precisa de um cuidado específico, pensado para esse momento da vida”, completa a psicóloga.

Diferenças no tratamento terapêutico

O trabalho com adolescentes exige mudanças na abordagem.

“Com as crianças, o foco está na aquisição de habilidades básicas. Já com os adolescentes, passamos a trabalhar autonomia, tomada de decisão e habilidades sociais mais complexas”, afirma a especialista.

Outro ponto importante é o protagonismo do jovem.

“O adolescente participa ativamente do processo terapêutico. Ele não é apenas conduzido. Ele constrói junto”, ressalta.

Desafios observados na Baixada Santista

Na região, algumas demandas específicas chamam a atenção.

“Identificamos dificuldades relacionadas à socialização, autonomia e organização da rotina. Além disso, há impacto relevante do uso excessivo de telas”, explica a psicóloga.

As questões emocionais também são frequentes.

“Ansiedade, baixa autoestima e dificuldades de pertencimento aparecem com frequência. Outro ponto crítico é a descontinuidade do cuidado após a infância, o que gera lacunas no desenvolvimento”, alerta.

Ciência aliada ao cuidado humano

O Instituto Almai adota práticas baseadas em evidências.

“O Almai tem como base a Análise do Comportamento Aplicada, mas sempre com um olhar humano e individualizado. Utilizamos estratégias baseadas em evidências, respeitando a história e o contexto de cada adolescente”, destaca.

Segundo ela, o diferencial está na integração.

“Nosso modelo une técnica, vínculo e significado”, resume.

Terapias e intervenções oferecidas

O programa tem atuação multiprofissional.

“Incluímos terapia comportamental, treino de habilidades sociais, terapia ocupacional e, quando necessário, fonoaudiologia”, explica.

Também há foco na prática.

“Desenvolvemos intervenções em grupo e habilidades para a vida prática, sempre com foco na autonomia e funcionalidade”, acrescenta.

Acompanhamento contínuo

O progresso é monitorado de forma constante.

“Acompanhamos a evolução por meio de avaliações, observação clínica e reuniões de equipe. Também revisamos periodicamente o plano terapêutico”, afirma.

Mais do que indicadores técnicos, o impacto cotidiano é prioridade.

“O mais importante é o impacto na rotina do adolescente, seja na escola, em casa ou nas relações”, pontua.

Papel da família

A participação familiar é considerada essencial.

“A família é fundamental. Trabalhamos com orientação constante, alinhamento de estratégias e participação ativa nas decisões”, explica.

A continuidade fora da clínica faz diferença.

“A evolução do adolescente acontece também no dia a dia, fora do ambiente terapêutico”, diz.

Engajamento é desafio

O trabalho com adolescentes apresenta desafios específicos.

“O engajamento, a motivação e as questões emocionais mais complexas estão entre os principais desafios”, afirma.

Para enfrentá-los, a estratégia é baseada em vínculo e integração.

“Buscamos construir um vínculo verdadeiro e propor intervenções que façam sentido para o adolescente. Além disso, atuamos com uma equipe multiprofissional integrada, garantindo um cuidado mais completo”, conclui a psicóloga.

Redação Fatos Fontes

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