A operação de reflutuação do navio Professor Besnard avançou nesta semana no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Afundada parcialmente desde 13 de março, a embarcação histórica da pesquisa científica brasileira passa por uma nova etapa do processo de recuperação, considerado complexo pelas equipes responsáveis.
Os trabalhos realizados na quarta-feira (3) incluíram o uso de bombas de sucção e a atuação de mergulhadores especializados para retirar grandes volumes de água acumulados no interior do navio. Contudo, o objetivo é trazer a embarcação novamente à superfície sem comprometer sua estrutura original.
De acordo com o engenheiro de mergulho Márcio Nogueira, a preservação das características históricas do Professor Besnard orienta todas as etapas da operação. Segundo ele, os procedimentos exigem mais tempo justamente para evitar danos adicionais ao navio.
Entretanto, a empresa Marfort Serviços Marítimos, responsável pela reflutuação, informou que as fases de tamponamento, testes de estanquidade e estabilização da embarcação já estão prontas. O diretor Alexandre Salamoni explicou que o navio também passou por um processo parcial de destombamento e aguarda a chegada de equipamentos complementares para a etapa final.
Ademais, após a conclusão da reflutuação, o Professor Besnard terá encaminhamento para um estaleiro, onde passará por perícia técnica. O laudo deverá apontar se a embarcação poderá ter recuperação para visitação pública ou se parte de sua estrutura será desmontada.
A Autoridade Portuária de Santos (APS), com autorização da Marinha do Brasil, contratou emergencialmente a operação de retirada por R$ 8,6 milhões.
Navio histórico da ciência brasileira
Construído em 1966, o Professor Besnard é um dos principais símbolos da pesquisa oceanográfica no Brasil. Ademais, ao longo de sua trajetória, participou de mais de 260 expedições científicas, realizou milhares de coletas oceanográficas e transportou as primeiras missões brasileiras para a Antártica.
Projeto de restauração
Fora de operação desde 2008, o navio passava por um projeto de restauração para se transformar em museu flutuante quando afundou parcialmente no cais do Valongo. Segundo o Instituto do Mar, o problema ocorreu após fortes chuvas atingirem a Baixada Santista e o sistema de bombeamento deixar de funcionar devido ao furto da fiação elétrica da embarcação.
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