O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento nesta terça-feira (23) à Polícia Civil do Distrito Federal para esclarecer questões relacionadas a uma pistola registrada em seu nome e apreendida com um de seus seguranças durante uma blitz da Polícia Militar.
Segundo o advogado Paulo da Cunha Bueno, Bolsonaro manteve a mesma versão apresentada anteriormente pela defesa. Além disso, o ex-presidente não acrescentou novas informações durante a oitiva.
Defesa reforça versão sobre manutenção da arma
Na semana passada, os advogados informaram que Bolsonaro identificou uma falha no funcionamento da pistola e, por isso, solicitou uma avaliação técnica do armamento.
De acordo com a defesa, o ex-presidente entregou a arma ao segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho para verificar o problema e realizar a manutenção necessária. Dessa forma, os advogados argumentam que Bolsonaro apenas buscou corrigir uma falha mecânica.
Ainda segundo Bueno, o episódio não configura crime e não possui relação com o encerramento do prazo da prisão domiciliar.
Polícia Civil amplia investigação
A Polícia Civil gravou o depoimento e agora pretende ouvir o segurança que portava a arma durante a abordagem. Paralelamente, os investigadores aguardam a conclusão do laudo pericial sobre a pistola.
A oitiva ocorreu na residência de Bolsonaro e durou cerca de cinco minutos. A autorização partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da Polícia Civil.
Prisão domiciliar entra no centro da discussão
O caso ganhou relevância porque pode influenciar a análise sobre a continuidade da prisão domiciliar concedida ao ex-presidente por 90 dias.
Nesse contexto, Moraes pediu esclarecimentos sobre a manutenção da arma e questionou por que o pedido ocorreu próximo ao término do benefício judicial. Por consequência, a investigação passou a avaliar possíveis impactos do episódio no cumprimento das medidas cautelares.
Arma foi apreendida durante blitz
A Polícia Militar apreendeu a pistola Glock calibre 9 milímetros na noite de 15 de junho durante uma fiscalização de trânsito no Distrito Federal.
Após a apreensão, Moraes solicitou informações detalhadas sobre a posse do armamento e sobre o motivo do reparo solicitado pela defesa.
Por outro lado, os advogados destacaram que nenhuma decisão judicial determinou a entrega da arma ou o cancelamento do registro do equipamento.
Questionamentos envolvem circulação da arma
Além das explicações sobre a manutenção, Moraes questionou como a arma deixou a residência do ex-presidente.
Em resposta, a Polícia Militar informou que os veículos utilizados pelos seguranças permanecem estacionados em via pública e, portanto, não passam pelas inspeções realizadas nos automóveis que saem da garagem da residência.
Enquanto isso, a investigação também analisa o comportamento do motorista durante a blitz. Segundo relato do policial militar Davi Evangelista Alves, o condutor fechou o vidro do veículo logo após perceber que os agentes haviam identificado a arma no interior do carro.
Próximos passos
Agora, a Polícia Civil aguarda o depoimento do segurança e a conclusão da perícia. Em seguida, os investigadores devem encaminhar as informações às autoridades responsáveis pela análise do caso.
Assim, os próximos desdobramentos podem ocorrer ainda nos próximos dias e influenciar a decisão sobre a permanência de Bolsonaro em prisão domiciliar.

