Santos iniciou a elaboração do primeiro inventário municipal de emissões de gases de efeito estufa (GEE). A Prefeitura contratou o ICLEI América do Sul, principal rede global de governos locais pela sustentabilidade, para realizar o estudo, que vai identificar os setores e as atividades que mais contribuem para as emissões no município. A previsão é concluir o levantamento no primeiro semestre de 2027.
Estudo vai direcionar ações climáticas
O inventário vai mapear as principais fontes de emissão de gases de efeito estufa, como transporte, energia, resíduos, processos industriais e atividades portuárias. Com essas informações, o Município poderá direcionar investimentos em tecnologias limpas, elaborar o Plano Municipal de Mitigação, atualizar as metas do Plano de Ação Climática de Santos (PACS) para 2030 e fortalecer a participação da cidade em redes globais de enfrentamento às mudanças climáticas.
Os gases de efeito estufa, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, retêm calor na atmosfera. As atividades humanas elevam a concentração desses gases e intensificam o aquecimento global, o que favorece a ocorrência de eventos climáticos extremos.
Inventário fortalece políticas públicas
O inventário integra o eixo 8 do Plano de Ação Climática de Santos (PACS), aprovado em 2022. A iniciativa estabelece a base para a elaboração do Plano Municipal de Mitigação e para a implementação de medidas de redução das emissões.
A Seção de Mudanças Climáticas apresentará os resultados do levantamento, que também servirão de referência para futuras políticas públicas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello, o inventário vai transformar as metas do PACS em ações concretas.
“O inventário possibilitará que as metas de longo prazo estabelecidas no PACS se tornem realidade. Com dados precisos sobre nossas emissões, seguiremos direcionando investimentos e políticas públicas de forma estratégica e eficaz”, afirma.
A iniciativa também reforça as ações do município diante dos efeitos das mudanças climáticas já observados em Santos, como a elevação do nível do mar, as ressacas e as chuvas intensas.
Como ocorre a medição das emissões
Os inventários de gases de efeito estufa utilizam dados de consumo e de atividades para calcular a quantidade de poluentes emitidos.
Entre as informações analisadas estão o consumo de combustíveis no transporte, o uso de energia elétrica, o volume de esgoto tratado e a quantidade de resíduos destinados a aterros sanitários. A equipe aplica esses dados em uma metodologia padronizada para estimar as emissões registradas em determinado período.
Metodologia internacional
O trabalho utilizará a metodologia Global Protocol for Community-Scale Greenhouse Gas Emission Inventories (GPC), referência internacional para contabilizar emissões em áreas urbanas.
O método permitirá comparar os resultados de Santos com os de grandes cidades que integram redes internacionais, como o C40 Cities e o próprio ICLEI. A padronização também amplia a transparência dos dados, facilita o acesso a financiamentos climáticos e fortalece a participação do município em iniciativas globais de sustentabilidade.
Plano de Ação Climática
Santos elaborou o Plano de Ação Climática (PACS) entre 2018 e 2021 com a participação da Prefeitura, universidades, sociedade civil e setor privado, além do apoio técnico da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ).
O documento estabelece como meta transformar Santos em uma cidade inclusiva, sustentável, resiliente, adaptada às mudanças climáticas e carbono neutra até 2050.
Esta iniciativa contribui para o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13 da ONU, que trata da ação contra a mudança global do clima.

