Foto: Carlos Nogueira/Prefeitura de Santos

Quem olha para o mar de Santos pode estranhar a tonalidade escura da água, principalmente em alguns períodos do ano. A aparência costuma gerar dúvidas e até a impressão de que o mar está sujo. No entanto, a cor resulta de uma combinação de fatores naturais que fazem parte da dinâmica da região.

Santos fica em uma área de encontro entre rios, canais, manguezais e o oceano. Esse sistema transporta sedimentos e matéria orgânica para a costa e interfere diretamente na aparência da água.

Rios e manguezais ajudam a mudar a cor

Os rios que chegam à região carregam areia, argila, folhas em decomposição e outros materiais. Quando esse conteúdo alcança o mar, a água pode adquirir uma tonalidade mais escura ou acinzentada.

Os manguezais também contribuem para esse processo. A decomposição da matéria orgânica libera pigmentos naturais que alteram a aparência da água.

A geologia local completa esse cenário. A erosão das rochas e da cobertura da Serra do Mar transporta sedimentos minerais para áreas mais baixas. Parte desse material chega aos rios, canais e ao mar, reforçando a coloração característica da região.

Chuva, vento e maré também interferem

A aparência do mar muda conforme as condições ambientais. Chuvas fortes aumentam o volume de água que chega pelos rios e canais e, consequentemente, podem levar mais sedimentos para a costa.

Frentes frias, ventos, marés e correntes marítimas também movimentam a água e distribuem esses materiais de maneiras diferentes.

Já durante períodos mais longos sem chuva e sem frentes frias, a quantidade de sedimentos que chega ao mar diminui. Com isso, a água pode apresentar uma aparência mais clara.

Por que Santos tem um mar diferente de outras praias?

A localização geográfica ajuda a explicar a diferença entre Santos e outras cidades do litoral paulista.

Em algumas praias do litoral norte, por exemplo, rios e estuários exercem menor influência sobre a costa. A formação do fundo marinho e a conservação da vegetação próxima ao litoral também variam de uma região para outra.

Por isso, cada trecho do litoral apresenta características próprias, que podem alterar a cor e a transparência da água.

Mar escuro não significa água imprópria

A cor do mar não permite determinar se uma praia está própria ou imprópria para banho.

Uma água escura pode apresentar condições adequadas para os banhistas, enquanto um mar aparentemente azul e transparente pode apresentar contaminação que ninguém consegue identificar apenas pela aparência.

Por isso, quem pretende entrar no mar deve consultar a classificação oficial de balneabilidade antes do banho.

Cetesb acompanha a qualidade das praias

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) realiza análises periódicas para avaliar as condições das praias.

Em Santos, o monitoramento ocorre em sete pontos:

  • Ponta da Praia;
  • Aparecida;
  • Embaré;
  • Boqueirão;
  • Gonzaga;
  • José Menino — Rua Olavo Bilac;
  • José Menino — Avenida Frederico Ozanan.

A Cetesb informa que Santos apresenta, historicamente, condições predominantemente ruins ou péssimas. Desde 2023, porém, os resultados mostram uma melhora gradual, com mais trechos classificados como regulares e menos áreas nas condições mais críticas.

Análise verifica presença de bactérias

A Cetesb realiza coletas semanais em 175 pontos do litoral paulista. Os laboratórios analisam as amostras e utilizam a concentração de enterococos como um dos principais indicadores de qualidade da água, seguindo os critérios da Resolução Conama nº 274/2000.

O órgão considera os resultados de cinco semanas consecutivas para definir a classificação.

Quando as análises registram mais de 100 colônias de bactérias por 100 mililitros de água, o local recebe classificação imprópria para banho.

Em Santos, fatores como lançamento de esgoto, ocupações irregulares, alta densidade populacional e poluição carregada pelas chuvas podem prejudicar a qualidade microbiológica da água.

Chuva forte exige atenção

Após períodos de chuva intensa, a população deve redobrar os cuidados. As águas que circulam pelos canais de drenagem podem carregar diferentes tipos de poluentes até o mar.

Além disso, a abertura das comportas dos canais ajuda a evitar alagamentos, mas pode provocar mudanças temporárias nas condições microbiológicas da água.

Por esse motivo, a recomendação é evitar o banho nas primeiras 24 horas após chuvas fortes e consultar a classificação da Cetesb.

A cor natural não elimina os impactos ambientais

Embora os fatores naturais expliquem grande parte da tonalidade escura do mar, Santos também enfrenta problemas ambientais.

A urbanização, as atividades portuárias e industriais, a redução de áreas de manguezal e o lançamento de esgoto exercem pressão sobre o ambiente costeiro.

Outro desafio envolve os microplásticos. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e publicado em 2023 identificou concentrações desse material no estuário de Santos.

A pesquisa analisou ostras e mexilhões coletados na região da balsa Santos-Guarujá, na praia do Góes e na ilha das Palmas. Na área da balsa, os pesquisadores encontraram as maiores concentrações, com média de 12 a 16 partículas de microplástico por grama de tecido. Um dos mexilhões apresentou mais de 300 partículas por grama.

As fibras têxteis apareceram entre os materiais mais encontrados, com possível relação com o lançamento de esgoto doméstico.

Como aproveitar a praia com mais segurança

Antes de entrar no mar, vale conferir a classificação de balneabilidade da praia escolhida. A aparência da água pode ajudar a perceber mudanças no ambiente, mas não substitui a análise oficial.

A recomendação inclui ainda:

  • Evitar o banho nas primeiras 24 horas após chuvas intensas;
  • Não entrar na água de canais, córregos e rios que desembocam nas praias;
  • Não ingerir água do mar;
  • Descartar corretamente lixo e resíduos;
  • Consultar a classificação de balneabilidade antes do banho.

Afinal, por que o mar de Santos fica escuro?

A resposta envolve uma combinação de fatores. Rios, manguezais, sedimentos, minerais, chuvas, ventos, marés e correntes marítimas influenciam a aparência da água.

Portanto, mar escuro não significa automaticamente mar sujo. Para saber se a praia está própria para banho, o caminho mais seguro é consultar os dados de balneabilidade e seguir as recomendações dos órgãos ambientais.

Redação Fatos Fontes

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